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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Espectros

E mais uma poesia. Publicada no Diariodoamapa.com.br, em 05.01.14

Espectros  (08.01.2010)  Veneide Bogusz


De casas, de homens, meninos, meninas,
de almas, de quereres, de desejos, de vontades.
Espectros...

De pessoas, de animais, de sonhos,
de gente, de amigos, de vidas.
Expectativas...

Desejos, amores, dores,
Solidão. Ainda assim,
Espectros...

Brindar, sorrir, cantar,
voltar, sumir, amar.
Expectativa...

Gostos e desgostos.
Sorrisos e prantos.
Encantos e desencantos.
Certezas...

Certezas incertas e insertas
nas dúvidas,
rasgando o véu da tenra
expectativa do amanhã
que esvoaça e se perde.
Pela vida...
Espectros...

Espectros de vida,
que se transformam em certeza de futuro
no sorriso inocente e espontâneo
de um infantil abraço promissor
da criança que te olha, e não te julga.
Que só te ama.

E S P E R A N Ç A...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Para Andaoa, minha mãe.




Aqui, a presenca que mais me falta.
O maior amor que jamais pessoa me dedicou.
A ela, essa poesia de Set de 2009:

MINHA MAE
(23.09.09)


Tua alegria me contagiou quando nasci
Diante de tua formosura, eu tremi
Criatura mais bela e terna jamais conheci.

Tuas mãos, como mãos de fada,
Transformaram em realidade o nada
Bastou que me olhasses para que eu sentisse
Que, mesmo cortando o cordão umbilical
Nossa amizade seria eternal

De dia, foste meu sol,
De noite, foste minha lua,
Minha estrela guia sempre presente.
Única luz na escuridão.
Meu oceano profundo de ternura.
Foste minha fada, minha eterna deusa.
Foste minha amiga, minha cúmplice.

Agora, és a dor jamais esquecida
A alegria jamais repetida
Minha fonte eterna de inspiração.

Se não podes saber o quanto me arrependo
de não te haver poupado mais da labuta diária...
Uma coisa conforta essa desditosa filha tua:
O teu colo sentiu o carinho que te aqueceu
A cada beijo depositado no rosto teu.

sábado, 2 de novembro de 2013

Já que se fala tanto em poesia...

Puxa! Estou bem atrasadinha com meus posts...Peço a meus leitores que não me levem a mal. Aqui, realmente, é o espaço ideal para treinar e alimentar minha veia sedenta de escrita mas que, por um motivo ou por outro tenho contido ou adiado. Depois que conheci o Faceboook, venho inserindo minha fotos de passeios por lá com algum comentário. Manter contato com meu filho foi a única razão que me fez entrar para essa rede social pois ele não visita meu blog por falta de tempo. 
Por enquanto (vejam só, já vou escapulir daqui)...Como eu dizia: por enquanto, vou deixar uma poesia de minha lavra que já tem um certo tempo. Desculpem o atraso.

O SONHO.

Minha alma fugiu de meu corpo
em uma noite de sonho.
Esteve contigo,
jogou-se em teus braços
num último e terno afago.
Então, viu no teu olhar
que por alguma razão
teus passos queriam partir
mas teu coração queria ficar...

Fui acordada de repente...
Era tão forte, tão latente!
Aí me dei conta então,
que chegara perto a morte
para livrar-me da triste sorte
de continuar longe de ti.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Teus atos


França, maio de 2009.

Conta-me um segredo
Que eu não possa revelar ;
Faz um gesto
Que eu seja incapaz de imitar ;
Faz-me um carinho
Que me faça estremecer;
Conta-me uma estória
Que eu seja incapaz de esquecer ;
Conta-me uma piada
Que faça a tristeza passar;
Dá-me um belo sorriso
Que o tempo não consiga apagar;
Quando você me olhar,
Olhe-me com tanta ternura
que do meu próprio olhar
Se perca toda amargura.
Abriga-me no calor do teu corpo
E enrola-te no amor do meu.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Hoje, às 5:42, na fazenda.

Um dia, fecharei meus olhos
e não os abrirei mais…
Dormirei o “sono dos justos”, mas,
quem são os justos? Onde eles estão?

Como acontecerá? Na cidade, sentada
naquele sofá azul tão fofinho da sala?
Na mata, nos lagos, caminhando nas pontes?
Ou dentro da "casa grande"
quando uma daquelas cobras ver minhas pernas
e delas não gostar?
Dará o bote antes que eu a veja?

Um dia, fecharei meus olhos
e não terei consciência suficiente para abri-los.
Esquecerei de vez os fantasmas
e eles descansarão de mim.

Como será? Numa das viagens pelo rio?
Ou num dos percursos de avião?
Nas estradas européias
ou nas estradas da Amazônia?
Ou será em consequência da idade
que minhas pernas falharão?
Que me deixem dormir em paz...
E sentir o fresco odor da floresta do sono eterno.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Estreantes na poesia da boca da noite.

Hoje foi meu batismo e de meu marido na Poesia da Boca da Noite. O encontro foi na casa do poeta Cléo Farias de Araújo com muita gente simpática. Cultura engrandece o espírito! Aqui estão algumas fotos só para ilustrar o post enquanto atravessamos o oceano nesse fim de semana. Eu e meu marido estamos aguardando a publicação do post de Alcinéa sobre esse encontro.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Curtas.

Quando minha primeira cangula alçou vôo toda faceira rindo para o sol senti-me a própria!

Aumentei o sal de minhas lágrimas para não esquecer aquela afronta, mas o açúcar do teu doce sorriso enfraqueceram minha dor.

Talvez um dia eu me arrependa mas, por enquanto, vou vivendo profunda e loucamente: o futuro a Deus pertence.

A menina chorava porque não tinha uma boneca. A mulher estéril já não tinha lágrimas de tanto lamentar sua fonte seca: um filho quem me dá um filho?

Vou para o mato na beira daquele rio com boas leituras na maleta e meu note para escrevinhar alguma coisa. Sumir por uns tempos da civilização, da Interlenta e do trânsito caótico de nossa cidade. Desejo a todos um ótimo fim de semana!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Intuição?

Estava vazia de tudo e cheia de nada quando você apareceu.
Teu sol iluminou a lua do meu céu,
então me dei conta do motivo de não haver fechado
a janela da vida.

Foto: Veneide, Rio Araguari, dez. 04


domingo, 29 de agosto de 2010

Espectros

De casas, de homens, meninos, meninas
De almas, de quereres, de desejos, de vontades
Espectros...

De pessoas, de animais,de sonhos
De gentes, de amigos, de vidas
Espectadores...

Desejos, amores, dores
Solidão, ainda assim,
Espectros...

Brindar, sorrir, cantar
Voltar, sumir, amar
Expectativas...

Gostos e desgostos
Sorrisos e prantos
Encantos e desencantos
Certezas...

Certezas incertas e insertas
Nas dúvidas
Rasgando o véu da tenra
Expectativa do amanhã
Que esvoaça e se perde
Pela vida
Espectros...

Espectros de vida
Que se transformam em certeza de futuro
No sorriso inocente e espontâneo
De um infantil abraço promissor
Da criança que te olha e não te julga
Que só te ama
Esperança...

Veneide, 08.01.2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pedacinhos de Macapa...

Meu coração está cheio de pedacinhos. 
Pedacinhos do passado, 
pedacinhos do presente.
Pedacinhos que não voltam mais.
Pedacinhos de Macapá...
Não é saudade de um tempo
Nem saudade do que passou
E não é saudade das pedras.
Não, não é saudade material,
é muito mais do que isso
é de algo muito irreal.

É saudade das pessoas que me deram a vida
e encheram minha infância de inocência.
São pedacinhos que pesam.
Impalpáveis se tornaram
De tão distantes que ficaram
E, como a maioria de meus versos
Nascem das lágrimas…
Apenas o coração grita de dor apertadinho :
S a u d a d e s  e t e r n a s ...
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sábado, 19 de setembro de 2009

Balaio de Idéias

Eu e meu marido quando recebemos o livro em nossa casa na França.
Comunico aos amigos que a I Coletânea Scriptus, "Balaio de Ideias", da qual faço parte com algumas poesias, encontra-se nas estantes de autores amapaenses da livraria Transa Amazônica. A coletânea de poesias e prosas nasceu da iniciativa do casal de blogueiros Letícia e David de publicar, juntamente com outros blogueiros, algumas de suas criações literárias. Vá lá, confira e adquira!


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quinta-feira, 2 de julho de 2009

"Amores improváveis".

Crepúsculo no Araguari, arq.Veneide e Daniel


« Que estranho destino é o meu

que apenas me consente paixões ardentes

e me faz esgotar em amores improváveis ».


José Manoel Saraiva, romancista português (Aos Olhos de Deus).




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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Oração de manhãzinha.

Às amigas q me enviaram o convite para o encontro dos blogueiros, peço desculpas pela minha ausência e tento me atualizar hoje com esse post, depois de tentar ver a banda passar ontem.

De minha autoria:

Deus todo poderoso,
No silêncio desse dia que se inicia
Olhando para o céu acinzentado
Dessa manhã de quarta-feira de cinza,
Quero te pedir, Senhor,
Que me permitas degustar novamente
O mesmo doce frescor da manhãzinha
De quando eu era menininha.

Faça chuva ou faça sol, não importa.
Quero ter o prazer de sentir
O ar dessa nova manhã
Bater no rosto com o aconchego do bom dia.
E sentir, Senhor, a tua presença.
Ver nisso tudo a certeza
Da vida em harmonia.

Quero a paz de espírito
Que sempre me alegrou.
Quero a paz mesmo sabendo
Que nem tudo eu pude
Nem tudo eu posso sozinha...

Que as coisas pendentes
Que eu não consegui realizar,
Seja por ignorância, seja por inércia,
por interferência vil de terceiros
ou por excesso de honestidade
Não venham, Senhor, tirar a minha paz.

Quero respirar o doce sopro da manhã,
Senti-lo dentro do peito.
Depois, adentrando fundo na espinha
A me possuir por inteiro
A benfazeja bênção de bons e agradáveis dias.
Ter a certeza, Senhor, que,
Para ser feliz, basta viver
Dia após dia, com o espírito
Em harmonia com o teu querer.
Amém!


Escrita por: Veneide, 25.02.09. 7h da manhã


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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Miscelânea de ilusões.

Foto: Veneide

Palavras se calaram
Mãos se tocaram
Corpos se entrelaçaram
Energias se chocaram
Para nunca mais...

Palavras que se calaram
Mas fariam bem se falassem.
Palavras que foram ditas
E como magoaram!
Essas, sim, era para terem calado.

Tristes desencontros ...

Palavras que acalentariam
Mas que foram contidas
Explodiram dentro do corpo
Como se fosse um vulcão.
Timidez ou orgulho as calaram.

Tudo ficou para trás
Sem ser dito ou vivido.
O amor esqueceu.
Nem arrependimento restou
A vida outro rumo tomou...

Já no fim da caminhada,
um último sopro de vida,
músculos e ossos frágeis
tenta prolongar a vida
busca o eterno amor desmerecido.

Almas que se encontrarão um dia?
afinal terão paz?
Ou continuarão a buscar?

Responde a quem te implora, Ilusão.
A vida te estenderá piedosa mão.
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terça-feira, 17 de junho de 2008

Retas cruzadas.

Lazy-Hazy-Days
A rosa despetalou,
o gigante sentiu dor.
A garota descansou
nos braços do seu amor.

Na esquina da vida esperara.
Na curva, o vento dissipara.
Quando a reta na esquina cruzou,
só então o amor realizou.

« Bem-me-quer, mal-me-quer,
bem-me-quer, mal-me-quer.
Pirulito que bate-bate.
Pirulito que já bateu.
Quem gosta de mim é ele (e eu ni mim também, eheheh).
Quem gosta dele sou eu ».


Veneide, 16.06.08

terça-feira, 11 de março de 2008

Semana da Poesia no blog

Dedico essa poesia para meu irmão mais velho, Augusto, o garotinho que está no colo de minha mãe na foto do post anterior. Augusto faleceu aos 56 anos, em 2005 (repousam em Deus agora). Ontem, dia 10 de março, seria seu aniversário.

PARA VIVER!

Para vir ao mundo,
Dos amores, fiz as dores
Do silêncio, fiz um grito
Das lágrimas, os sorrisos.

Para continuar viva,
Dos gritos, fiz o silêncio
Das dores, fiz os amores
Das tristezas, as alegrias.

Para segurar a vida,
Fiz da pressa, a paciência
Da mágoa, o esquecimento
Da raiva, a complacência.

Para segurar o amor,
Do tempo, fiz a sapiência
Dos ímpetos, a ponderância
Do ciúme, a confiança.

Veneide, 11.03.08, 4:20

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

As vozes da floresta.

(dedico ao filhote de onça vítima de incêndio recente)
Foto: Veneide
As minhas estranhas…
Descobertas, recobertas, manuseadas,
Roubadas, incendiadas...

Mãe terra, floresta desvirginada.
Outrora, feliz, isolada, inexplorada.

Irmão índio, irmã onça,
Insetos, aves, serpentes, lagos, rios...flores.
Todos irmãos, filhos e filhas
Em harmonia, em sintonia, dependentes.
Cantos, urros, silvos...perfumes.

Já não tenho forças para perguntar:
Por que me entranhar?
Por que me esquartejar?
Nada mais compreendo.

O segredo é ficar em segredo
Da curiosidade vil dos passantes,
Que, perdidos no que fazem,
Procuram por todos os meios
Ocupar, explorar, exterminar
Sem tudo isso muito a sério levar.

Só meus irmãos e meus filhos compreendem
A angústia que transmite o farfalhar de minhas folhagens,
Pois essa angústia é também deles.

Ah, se eu pudesse mover meus pés...
Mas não posso. Estou enraizada nesse solo!

Assim, antes que me calem por completo,
Faço ressoar os sons de minhas entranhas
na imensidão complexa do universo desses versos.
E que meus gritos encontrem eco em corações conscientes
Que reconhecerão então sua própria voz,
E não poderão mais calar...estranhar.
Doentes...ausentes...ventos dementes...shshshshshshshsh


Veneide, 24.09.2007

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Folha de caderno

Estou só.
Só como o número ímpar.
Só como uma mesa de uma perna só.

Estou vazia.
Vazia como aquela garrafa
Em cima da mesa de uma perna só.

Estou leve.
Leve como aquela folha de caderno
Em cima da mesa de uma perna só.

Soprou um vento forte.
Ah! A garrafa vazia acabou de cair...
A folha solta acabou de voar.
A mesa de uma perna só acabou de balançar.
Ninguém mais a quer escorar.
Ahahahahahahahahahahahaha!

Veneide, 18.05.07

terça-feira, 1 de maio de 2007

Nesse Dia do Trabalho


Eu queria tanto...
Crianças na escola,
Pais com trabalho,
Hospitais com remédios.

Eu queria tanto...
Sorrisos e não lágrimas,
Comida em vez de fome,
Vida em vez de morte.

Eu queria tanto...
Menos egoísmo,
Menos esmola,
Respeito,
Dignidade,
Comida,
Educação,
Saúde,
Segurança,
Cultura.

Eu queria tanto
Ver meu povo
Menos passivo.
Menos complacente.
Mais exigente.

Eu preciso tanto
Apalpar esse sonho.
Acreditar no impossível.
Ver mudar e melhorar.

Veneide

Mcp, 01.05.07

sexta-feira, 30 de março de 2007

Eu vejo, tu vês, ele (ela) vê...

TUDO SÃO MANEIRAS DE VER (Fernando Pessoa)

"Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

Uma coisa que adoro.

Uma coisa que adoro.
No inverno, fica tudo assim. Foto:D.B.

Os lagos

Os lagos
Pegamos nossos remos e varejões e saímos com muito cuidado para não triscar nos jacarés e sucuris. Foto: Veneide