domingo, 24 de junho de 2007

domingo, 17 de junho de 2007

O tempo, o pensamento e a vida.

Oi amigos, desculpem se me ausentei por um tempo.
É que, ele, o tempo, não pára, nem para você pensar.
E o pensamento, esse então, é atemporal.
E, como se não bastasse só é limitado pela imaginação.
Nossa! Como o pensamento é instável. Fugaz. Seria ele um prostituto?
Ora dormita aqui, ora dormita ali. Imagina...imagina. E nem sempre cria.
A velocidade, essa também não espera você.

O pensamento estava agora mesmo naquela folha de papel que voou de cima da mesa de uma perna só.
Afinal, ela voou, mas caiu sobre alguma coisa, sobre uma base.
Ela caiu sobre o piso da casa...e se aquietou.
Não, não tem nada a ver comigo: eu não me aquieto. Nunca.
Ao dormir, sim. Ao olhar o rio Amazonas em frente a minha cidade, sim.
Mas...e o pensamento?
Bom esse aí, deve descansar no inconsciente quando dou uma trégua ao corpo no leito do sono.

Meu recado para uma amiga por ocasião da mudança para a nova casa:
“Curta muito essa nova fase de sua vida. Mudanças para melhor sempre fazem bem. Não importa quantas caixas você tenha que abrir e fechar.
A vida é assim mesmo: um abrir e fechar de caixas; um tirar e guardar de objetos servíveis ou inservíveis”.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Folha de caderno

Estou só.
Só como o número ímpar.
Só como uma mesa de uma perna só.

Estou vazia.
Vazia como aquela garrafa
Em cima da mesa de uma perna só.

Estou leve.
Leve como aquela folha de caderno
Em cima da mesa de uma perna só.

Soprou um vento forte.
Ah! A garrafa vazia acabou de cair...
A folha solta acabou de voar.
A mesa de uma perna só acabou de balançar.
Ninguém mais a quer escorar.
Ahahahahahahahahahahahaha!

Veneide, 18.05.07

domingo, 13 de maio de 2007

Carta para minha Mãe

Querida mamãe,

Do dia em que Deus levou a senhora para perto dele até hoje, já se passaram alguns anos.
Mas na lembrança e no coração de seus filhos a senhora está presente como se nossos olhos estivessem sobre a senhora nesse instante, como se sentíssemos o seu perfume e como era macia a sua pele e quão doce era o seu olhar.

Mãe querida, a sua presença concreta eu busco ainda, cada dia. Como na época em que, ao sair do trabalho, eu pegava meu filho e ia vê-la e ao papai em nossa antiga casa, para tomar bênção e para levar meu filho para que fosse abençoado por meus pais. Depois, com a doença que abateu a senhora, sua memória permaneceu intacta mas seus movimentos ficaram limitados.
Ah, como isso nos fazia sentir mal. Ver a senhora outrora tão independente e ativa, tão sorridente e solícita, ficar tão limitada! Mas o que era pior, percebíamos que a senhora também se sentia assim. Mas quando a senhora olhava para seus filhos e netos, o seu olhar, Aleluia! Continuava o mesmo olhar doce e meigo. E quando eu a chamava de Princesa a senhora sorria. E eu deitava minha cabeça sobre seu colo e lhe agradecia e pedia perdão pelas molecagens. Que abençoada me sinto por ter tido essa oportunidade e, principalmente, por ter tido a senhora como mãe e como amiga!

Papai partiu primeiro. Foi como se nossa metade tivesse partido com ele. Que péssima sensação! Porém, mesmo nos sentindo assim, nos confortávamos com a senhora. Só que, depois que chegou a sua vez de ir embora ficou o vazio daqueles nossos encontros, aquela sensação de falta alguma coisa na hora do almoço e no fim da tarde...

Falta a presença importante de vocês em nossas vidas. Algumas coisas que ainda precisavam ser ditas, perguntadas, apesar de eu ter perguntado sempre muita coisa. E de havermos conversado bastante sobre nossas origens, sobre a família. Na verdade, todo o tempo do mundo não seria suficiente para nós. Mas, não podemos reter o tempo, infelizmente. Nem revertê-lo.

Assim, só nos resta o conforto de buscar sempre a felicidade, pensando que era isso exatamente o que vocês desejavam para nós, seus descendentes.

Oh, querida Mãe, que saudade! Nesse instante, com os olhos cheios de lágrimas só quero uma coisa: gritar MÃE! MÃE! Mas, sufoco meu grito e balbucio: Mãe, que saudade!

E vejo e sinto novamente o teu doce olhar sobre mim...

Sua filha que muito a ama,
Veneide

terça-feira, 1 de maio de 2007

Nesse Dia do Trabalho


Eu queria tanto...
Crianças na escola,
Pais com trabalho,
Hospitais com remédios.

Eu queria tanto...
Sorrisos e não lágrimas,
Comida em vez de fome,
Vida em vez de morte.

Eu queria tanto...
Menos egoísmo,
Menos esmola,
Respeito,
Dignidade,
Comida,
Educação,
Saúde,
Segurança,
Cultura.

Eu queria tanto
Ver meu povo
Menos passivo.
Menos complacente.
Mais exigente.

Eu preciso tanto
Apalpar esse sonho.
Acreditar no impossível.
Ver mudar e melhorar.

Veneide

Mcp, 01.05.07

sábado, 28 de abril de 2007

A cobra civilizada

Puxa! Vai fazer um mês que eu estava ausente. O tempo voa e a vida acompanha. Longe das minhas bases desde o dia 8 voltei à terrinha, depois de passar com meu marido umas férias maravilhosas na nossa toca no mato atravessando de canoa lagos infestados de jacarés e sucuris (essas últimas estavam exterminando os patos da mulher do caseiro). Sem contar que nossos passeios na floresta nos fazem passar por lugares preferidos de jararacas e surucucus. Só que, tenho motivos para acreditar que certas pessoas são mais perigosas do que os animais que agem por instinto. Já vou dizer porquê.

No dia seguinte ao da nossa chegada, depois de ter levado meu marido ao aeroporto, meu carro foi vítima de um curto que provocou um incêndio no painel, quase na minha cara. É isso mesmo. Cara. Porque não foi bonito não o meu susto e o susto que dei nas pessoas que me acudiram. Graças aos professores que estavam de saída da sede do sindicato na Av. Raimundo Álvares da Costa, na tarde da quarta-feira, dia 25, onde parei meu carro assustada, o início do incêndio não deixou maiores prejuízos. Não tenho como agradecer ao prof. Marcelo e aos demais professores que me acudiram e confortaram naquela hora. Um beijão no coração de vocês.
Pessoas como essas me fazem acreditar ainda na solidariedade humana.

Só não posso dizer o mesmo do mecânico safado e enrolão para quem levei meu carro para os reparos necessários, na quinta-feira. Pasmem, o cara arranjou tanta gente para me vender peças dizendo que eu precisaria trocar essa e aquela peça que eu fiquei desconfiada. Segundo ele, eu deveria trocar o alternador do carro e o motor de partida. Só que o fogo não havia passado do painel, sob o volante do carro. Não atingiu sequer o lado direito do mesmo. Muito menos a parte que fica dentro do capot. Ele tentou me convencer que as referidas peças estavam queimadas. Hoje de manhã cedo, ele fez um teste fuleiro na minha frente. Não me convenceu. Então peguei o alternador e o motor de partida e saí de lá. No caminho, passei na casa do meu irmão para que fosse comigo testá-los em outra oficina. Adivinhem: estava tudo em perfeita ordem. De volta à oficina do enrolão, acionamos o guincho do meu irmão. Fui logo dizendo que não precisava trocar nada porque as peças estavam boas e que eu ia tirar meu carro da oficina dele. Assim, encurtando conversa, sem discussão levamos o carro para uma oficina mais séria. Nem conto o estresse pelo qual passei desde a quarta-feira. Agora estou em paz. Já pude repousar um pouco. Só para vocês terem uma idéia, as referências que eu havia recebido do mecânico enrolão foram as melhores possíveis. Mas ele tentou enrolar a pessoa errada, pois sou mais desconfiada do que gato em quintal onde tem cão valente. Viram? Gente desse tipo é pior do que cobra peçonhenta. En garde! Como dizem os 3 Mosqueteiros (que na verdade eram 4).

segunda-feira, 2 de abril de 2007

O Caboclo da taquara

Quando eu e meus irmãos éramos crianças, sentávamos ao redor de nosso pai, o seu Veridiano Souza, para ouvirmos as aventuras de suas caçadas. Nossa mãe Andaoa, ficava um pouco à distância, com aquele seu sorriso de felicidade ao ver a prole rodeando o marido querido e, às vezes, convencido. Ficávamos tão atentos que nada fazia a gente sequer se mexer do lugar. Primeiro, porque nossa curiosidade era muito grande, segundo, porque nosso querido “velho” sabia contar como ninguém uma estória ou um caso. E, quando ele começava, ficávamos encantados, a vida se transformava em um sonho.

Nossa mãe também nos contava estórias muito bonitas, como a do Príncipe Pato e outras de paixões e encantamentos.

Mas, uma estória que nos marcou, talvez porque fosse curta e porque fizemos o papai repetí-la inúmeras vezes, foi a estória abaixo que ele contava recitando:

"Era uma vez, um casal apaixonado.
A moça era muito jovem, o rapaz também.
Os pais da jovem logo perceberam os olhares que os dois trocavam. Aí, passaram a vigiá-la e a mantê-la em casa para evitar qualquer escapadela.

Os jovens haviam decidido que “se tratariam” por Dengo (a moça) e Gemido (o rapaz).
E tinham uma amiga em comum chamada Conceição.
Certo dia, haveria um sarau na residência da jovem.
O rapaz, como todo apaixonado, encontrou rápido um meio para mandar-lhe um recado.
Contratou um poeta para levar o tal recado.
O poeta, diante dos convidados, com uma vara na mão vendo a jovem triste ao lado dos pais, começou a recitar:

Sou caboclo da taquara
Do tamanho desta vara
O Sol me deu na cara
A Lua me deu nos ouvidos.
Na casa de Conceição,
Dengo, está o teu Gemido.”

Pronto, nem é preciso dizer que, desde o dia em que papai contou essa estória para nós, a filharada dele não o deixou mais em paz: “Conte papai, conte papai, a estória do Dengo e do Gemido”.

Taquara (vegetal) Gramínea semelhante ao Bambu nativa da América do Sul

sexta-feira, 30 de março de 2007

Eu vejo, tu vês, ele (ela) vê...

TUDO SÃO MANEIRAS DE VER (Fernando Pessoa)

"Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."

sexta-feira, 23 de março de 2007

Tarde meio grogue

Caramba! Essa tarde, quando voltava da ginástica fui ver uma amiga. De volta para pegar o carro quase eu atravessava a rua de qualquer jeito. Eu estava meio grogue. Um ônibus passou tirando fininho de mim. Caí na real. Nossa! Foi horrível a sensação de quase ser atropelada! Talvez excesso de ginástica? Falta de potássio? Não sei. Vou verificar. E "acender" mais a atenção antes de atravessar a rua.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Mais uma operação da Policia Federal (10:00)

Essa manhã, como todos os dias ao tomar meu café, liguei as rádios da cidade para escutar as últimas notícias. Estava um reboliço total no meu Estado. Motivo: Segundo o repórter Douglas Lima, da Rádio Antena Um, a Polícia Federal deflagrou às 6 horas da manhã nos Estados do Amapá, Pará e Ceará, a operação “Antídoto”, com o objetivo de investigar fraudes nas licitações para aquisição de medicamentos para a Secretaria de Saúde do Amapá. Várias pessoas supostamente envolvidas foram detidas e estão sendo mantidas no prédio da PF para investigação.

Pelas informações recebidas dos repórteres que se encontram no prédio da PF/Macapá soubemos que a operação está apreendendo todos os objetos encontrados nas residências de alguns envolvidos, que possam servir de provas para uma possível denúncia pelo órgão oficial, tais como, computadores, carros importados, etc.

Em comentários, alguns repórteres diziam que já se esperava uma operação dessa envergadura desde março do ano passado, 2006, por conta de algumas denúncias surgidas à época.

Vamos acompanhar a seqüência dos fatos torcendo para que, por esse lado daqui, isso seja o início da solução dos problemas com o mau atendimento e a falta de medicamento, leito, etc, nos hospitais públicos da região.

Foram várias as pessoas que ligaram para o programa, dando apoio à operação, inclusive um médico confirmando a situação calamitosa que os profissionais vêm enfrentando, devido à carência de medicamentos e de meios de atendimento às pessoas que buscam atendimento na rede de saúde pública deste Estado.

Eu mesma, quando viajava de ônibus, pela estrada Ap070, (aquela que segue pelo Curiaú e que não teve sequer 1 km asfaltada em 2006, ano eleitoral) horrível, lamacenta e esburacada e que se tornou intrafegável para carros pequenos, ouvi uma senhora (cujo nome me reservo o direito de não citar) contar que sua filha, ao precisar de atendimento no Hospital da Mulher, há alguns dias, teve que dividir um leito com outra paciente, sangrando todas duas! A mulher em questão fez um barulhão até colocarem sua filha em um leito vazio. Antes do barulho, a enfermeira lhe havia dito que não havia leitos disponíveis no hospital.

Citando uma frase que se repete no meio jurídico: “Quem não luta pelo seu direito não é digno de tê-lo”.(Rudolf von Ihering)

Eu digo:“Cala teu direito e pisarão sobre ti. Porém, não esqueças que tens também deveres”. (Veneide)

Uma coisa que adoro.

Uma coisa que adoro.
No inverno, fica tudo assim. Foto:D.B.

Os lagos

Os lagos
Pegamos nossos remos e varejões e saímos com muito cuidado para não triscar nos jacarés e sucuris. Foto: Veneide