quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Espectros

E mais uma poesia. Publicada no Diariodoamapa.com.br, em 05.01.14

Espectros  (08.01.2010)  Veneide Bogusz


De casas, de homens, meninos, meninas,
de almas, de quereres, de desejos, de vontades.
Espectros...

De pessoas, de animais, de sonhos,
de gente, de amigos, de vidas.
Expectativas...

Desejos, amores, dores,
Solidão. Ainda assim,
Espectros...

Brindar, sorrir, cantar,
voltar, sumir, amar.
Expectativa...

Gostos e desgostos.
Sorrisos e prantos.
Encantos e desencantos.
Certezas...

Certezas incertas e insertas
nas dúvidas,
rasgando o véu da tenra
expectativa do amanhã
que esvoaça e se perde.
Pela vida...
Espectros...

Espectros de vida,
que se transformam em certeza de futuro
no sorriso inocente e espontâneo
de um infantil abraço promissor
da criança que te olha, e não te julga.
Que só te ama.

E S P E R A N Ç A...

Reflexões despertadas pela Natureza em uma alma irrequieta.

Artigo publicado no Diariodoamapa.com.br no dia 07.12.2013.




O vento sopra forte nas mungubeiras que crescem viçosas às margens do rio, plantadas para frear a queda da ribanceira provocada pelas ondas que seguem o passar dos barcos. O desmatamento da mata ciliar feito por antigos moradores, talvez sem perceber a gravidade de seus atos, quase derrubava a casa que agora pertence à minha família e que protegemos através de barragens e esteiamentos. Como único barulho a cortar o silêncio das 14 horas desta terça-feira 19 de novembro de 2013 está o rio jogando suas águas contra a canoa e o barco aportados em frente à casa, aumentando seu volume acompanhado pelo vento e por algumas araras que passam escandalosamente como se tivessem sido espantadas por alguma besta. O galo canta todo faceiro debaixo de nossa palafita exibindo a masculinidade de sua voz para as galinhas. Outro galo responde do outro lado do igarapé. Uma das galinhas cacareja. Silenciaram... Ouço, neste instante, o cantarolar de pássaros ao lado da casa na torre-escritório que meu marido projetou e fez construir. Meu marido aprendeu a fazer a siesta com os brasileiros. Neste momento ele dorme como um anjo repousando do trabalho que fez com o empregado e, em frente a mim, só tenho o notebook e este rio majestoso, encantado e encantador. Nesta mesma varanda, tomamos o café da manhã e o almoço com a concorrência de pássaros, botos e ariranhas que fazem de seu percurso pesqueiro um verdadeiro espetáculo diário. Que vida boa, sumano! Mas a cólica que comecei a sentir esta manhã depois que joguei veneno em algumas cabas, (ou será que foi o camarão que peguei aqui no rio e não cozinhei bastante?) insiste em me fazer lembrar que, o rio, dependendo da ação do homem sobre a natureza pode ser eterno. Mas, eu não sou eterna, por mais que eu queira me perpetuar através do pensamento e da persistência.
Lembro da música “Tempo perdido”, da Legião Urbana e reconheço o potencial da sensibilidade e da inteligência de Renato Russo (como se este meu voto tivesse algum valor, pois que o mundo já havia consagrado isso antes de mim).
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo

Aliadas ao ambiente bucólico deste meu tempo presente, estas letras riscam forte nas paredes dos labirintos da memória trazendo à sensibilidade do pensamento lembranças de um tempo que passou, da vida que passou e da juventude que escoou na sua esteira. Agora, aposentada, parece que tenho todo o tempo do mundo. Ledo engano... Minhas três vidas não me deixam ociosa, felizmente. Contribuí com o “destino”, digamos assim, para ter estas três vidas as quais me refiro. Talvez, por medo que a insuportável e viciosa rotina que envolve a maioria das pessoas envolvesse a minha também. Uma vida no Brasil, outra vida na Europa... A terceira vida é a mais simples e a mais gostosa: vivida na beira do rio onde tudo é primário e selvagem. Onde, escutando o grito dos guaribas à tarde e de madrugada sinto a atração ímpar que o mundo selvagem exerce sobre mim. Onde posso remar beirando este rio, desafiando-o e sendo desafiada dando vazão às minhas origens indígenas, que, embora dividindo meu histórico genético com as origens libanesas e européias são as que prevalecem. Junto com meu marido e os empregados, descobri que o trabalho no curral com os animais me agrada acima de tudo. Nestas matas, onde cada passo precisa ser cauteloso para não se pisar em uma cobra (e até dentro da casa!), e adentrar a floresta no lombo dos cavalos requer constante atenção. Aqui, não se usa ferro elétrico, mas, contraditoriamente à primariedade da natureza ao redor tenho uma máquina de lavar louças, outra de lavar roupa, aspirador de pó e uma máquina de fazer pão! Assim, sobra tempo para escrevermos e arranhar notas musicais com a garantia do pão feito em casa enquanto exercemos o intelecto. Como unir o útil ao agradável em um mundo selvagem? Com um certo conforto de primeiro mundo... (Pausa para desenfornar o pão que meu marido começou).
Uma de nossas prioridades agora é a descoberta das atrações dos outros municípios deste belo estado e a freqüência a encontros musicais com a grata satisfação de encontrar novas pessoas. Sair da toca é importante.
(Neste instante, o empregado chama atrás da casa querendo saber sobre a troca de alguns tarugos. Esta é uma das facetas de nossa vida na fazenda).
Chegar ao amadurecimento equilibrada emocional e financeiramente foi uma vitória conquistada. Nasci na hora em que o sol aparecia em frente à casa de meus pais, na Rua Cândido Mendes, em um quarto que depois virou sala de jantar. Fui moleca de correr na rua, brincar de “pira” e de “caí no poço” sem medo de arrastão e de assalto. Apesar de encarar com frieza alguns acontecimentos nem sempre tenho tato para lidar com a emoção. Não sei conviver com a mentira, nem com o fingimento. Desculpem-me os puxa-sacos. Carreei muitos amigos e alguns inimigos com minha franqueza. Não sou Made in China. Não acumulei riqueza. Sempre tive por lema o auto-respeito, a liberdade e a paz de espírito. Investi nos estudos e em viagens. Estes são meus bens e, com eles, não dou margem ao egoísmo e a avareza. Procuro ser honesta e justa comigo mesma e com os outros. Não usurpo o direito dos meus empregados. E sou conhecida assim, além da minha “chatice”, franqueza e alegria.
Vivemos em sociedade. O mundo se agita muito fora daqui deste pedaço bucólico de rio do Norte do Brasil. E a cada segundo tem uma novidade ou uma repetição de fatos.
A novidade deste momento é a prisão dos “mensalistas” que se julgavam acima da lei, e a dor de cabeça do Mr X, que imaginava que era o deus do empreendedorismo (como explicar essa palavra para meu marido?)
O império X s’est cassé la gueule (quebrou a cara) mas já estou aqui matutando com meus botões se esse rapaz não vai aparecer de novo pelo Amapá ou alhures, vestido de santo (ou barganhando mundos e fundos com possíveis “associados” de plantão) e se apoderar de outras riquezas para encher novamente o bolso e tentar recuperar o seu ego falido e machucado. Fico preocupada se nosso povo de memória curta e de credulidade fácil ainda vai reeleger um certo pessoal que, na expectativa de um processo judicial, continua a contar vantagens na cabeça dos simples.
Só nos resta torcer para que vença o justo nesta terra de cegos e neste mundo de caras de pau oportunistas para quem a pimenta no dos outros é refresco.
Neste instante, um homem bom e justo para com o seu ideal de liberdade e fraternidade acaba de transpor o portão do repouso eterno: NELSON MANDELA.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Para Andaoa, minha mãe.




Aqui, a presenca que mais me falta.
O maior amor que jamais pessoa me dedicou.
A ela, essa poesia de Set de 2009:

MINHA MAE
(23.09.09)


Tua alegria me contagiou quando nasci
Diante de tua formosura, eu tremi
Criatura mais bela e terna jamais conheci.

Tuas mãos, como mãos de fada,
Transformaram em realidade o nada
Bastou que me olhasses para que eu sentisse
Que, mesmo cortando o cordão umbilical
Nossa amizade seria eternal

De dia, foste meu sol,
De noite, foste minha lua,
Minha estrela guia sempre presente.
Única luz na escuridão.
Meu oceano profundo de ternura.
Foste minha fada, minha eterna deusa.
Foste minha amiga, minha cúmplice.

Agora, és a dor jamais esquecida
A alegria jamais repetida
Minha fonte eterna de inspiração.

Se não podes saber o quanto me arrependo
de não te haver poupado mais da labuta diária...
Uma coisa conforta essa desditosa filha tua:
O teu colo sentiu o carinho que te aqueceu
A cada beijo depositado no rosto teu.

sábado, 2 de novembro de 2013

Já que se fala tanto em poesia...

Puxa! Estou bem atrasadinha com meus posts...Peço a meus leitores que não me levem a mal. Aqui, realmente, é o espaço ideal para treinar e alimentar minha veia sedenta de escrita mas que, por um motivo ou por outro tenho contido ou adiado. Depois que conheci o Faceboook, venho inserindo minha fotos de passeios por lá com algum comentário. Manter contato com meu filho foi a única razão que me fez entrar para essa rede social pois ele não visita meu blog por falta de tempo. 
Por enquanto (vejam só, já vou escapulir daqui)...Como eu dizia: por enquanto, vou deixar uma poesia de minha lavra que já tem um certo tempo. Desculpem o atraso.

O SONHO.

Minha alma fugiu de meu corpo
em uma noite de sonho.
Esteve contigo,
jogou-se em teus braços
num último e terno afago.
Então, viu no teu olhar
que por alguma razão
teus passos queriam partir
mas teu coração queria ficar...

Fui acordada de repente...
Era tão forte, tão latente!
Aí me dei conta então,
que chegara perto a morte
para livrar-me da triste sorte
de continuar longe de ti.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Adapte-se ou estrumbique-se!

Quando você é cônjuge de estrangeiro e você divide o tempo entre o seu país e o de sua cara metade necessariamente você tem que se comportar ou tomar atitudes que evitem conflitos, choques culturais, desrespeito, etc. Principalmente quando a casa onde você reside temporariamente é dividida por pessoas de 3(três) nacionalidades diferentes. (Na casa francesa somos: eu, brasileira; marido e enteado franceses e nora polonesa. Bela composição pois os poloneses são muito simpáticos e altruístas). Esse comportamento é o desejável e até mesmo o exigível quando você vai de visita a um outro país mesmo que seja em viagem de turismo. É a regra do “saber se comportar na casa alheia”.  Por exemplo: se você for a um país muçulmano você não vai andar de shortinho ou mostrando a metade dos seios, se for mulher. Tipo de comportamento inconcebível na cultura muçulmana.
Isso não é fácil para todos pois existem pessoas que não conseguem se integrar. Esse tipo de pessoa sofre muito e faz sofrer o seu próximo.
No meu caso e no de meu marido, quando chegamos no Municipio de Oiapoque já sentimos que o ambiente demanda muita atenção, principalmente quando você se dirige ao porto para atravessar o rio da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa, o Rio Oiapoque. Você é assediado pelos condutores de catraias (voadeiras), por carregadores e por pessoas que trabalham para as empresas de ônibus ou táxis piratas que transportam para Macapá, no afã de captar clientela. Do outro lado do rio, do lado guianês a situação é a mesma. Se você não ficar atento sua bagagem vai para a catraia deles antes que você esboce qualquer gesto contrário (eu já fiz alguns trazerem a minha mala de volta para mim). A concorrência é grande e isso é preocupante porque existe um excesso de mão de obra disponível que precisa ser formado para outro tipo de trabalho. E, claro, para isso é necessário criar-se emprego. Principalmente quando se inaugurar aquela ponte bonita que se deita de uma margem à outra do rio, atravessando a fronteira. Aquela ponte tão desejada pelo turista que terá sua travessia facilitada mas, olhada pelos catraieiros como rival.
Na Guiana, você já começa a pensar como francês, porém, como a diversidade dos povos ali é muito marcante, você de certa maneira, ainda se sente à vontade para expressar a sua brasilidade. Entenda: tem muitos brasileiros na Guiana Francesa.
Quando você sai do avião no aeroporto de Orly, no Sul de Paris, aí sim, você veste a roupa do clima (em todos os sentidos). Em se tratando de meteorologia o clima pode mesmo estar frio, como estava  na nossa recente chegada aqui e, é bom você começar logo a fazer cara de francês, pensar como francês e saudar as pessoas como francês, beijo/beijo sem abraçar, como se tivessem se separado no dia anterior. Francês não se pendura no pescoço do amigo como nós, brasileiros. É tudo muito formal, mas cordial. Já, com a irmã do meu marido a gente se pendura uma no pescoço da outra e, com a minha sogra era assim também. A esposa polonesa do meu enteado é como os brasileiros: beija e abraça com espontaneidade. Mas, cada um com a sua cultura e as maneiras conforme foi ensinado. O povo francês respeita a individualidade do outro e isso também é bom. Adaptemo-nos para evitar conflitos. E, principalmente, não esqueça disso no trânsito. Desengavete sua carteira francesa de motorista (permis de conduire) que ficou na gaveta do armário do seu quarto e obedeça as leis de trânsito. Você não vai querer arranjar problemas para você, não é mesmo? Se você gosta de fotografar, ande com sua câmera: tem muita coisa diferente lá do Brasil que você vai querer guardar dentro da caixinha para ver mais tarde e mostrar para a familia e os amigos. Curta as formas de vida que você escolheu para você e não se lamente pois tudo passa muito rápido. Por isso, aqui estão algumas fotos das nossas idas e vindas.

Na fazenda, Rodolfo, o meu sobrinho bacana.
A bicharada aumentou.
A construção da barragem no Rio Araguari, em Ferreira Gomes.

As estradas por onde dirijo para a fazenda no Brasil.

Afastando o barco da ponte.


Anaconda morta às margens do Rio Araguari, Cutias. 7 ou 8 m.
Vaso de planta com uma jibóia, na nossa fazenda.
A ponte sobre o Rio Oiapoque.
St George, G.F.
Descemos do carro para salvar a preguiça que atravessava a estrada. G.Franc.
A primavera chegou toda branquinha por aqui.

O encontro com a familia francesa ao redor do bolo de chocolate da Karolina.






segunda-feira, 8 de abril de 2013

Teus atos


França, maio de 2009.

Conta-me um segredo
Que eu não possa revelar ;
Faz um gesto
Que eu seja incapaz de imitar ;
Faz-me um carinho
Que me faça estremecer;
Conta-me uma estória
Que eu seja incapaz de esquecer ;
Conta-me uma piada
Que faça a tristeza passar;
Dá-me um belo sorriso
Que o tempo não consiga apagar;
Quando você me olhar,
Olhe-me com tanta ternura
que do meu próprio olhar
Se perca toda amargura.
Abriga-me no calor do teu corpo
E enrola-te no amor do meu.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Hoje, às 5:42, na fazenda.

Um dia, fecharei meus olhos
e não os abrirei mais…
Dormirei o “sono dos justos”, mas,
quem são os justos? Onde eles estão?

Como acontecerá? Na cidade, sentada
naquele sofá azul tão fofinho da sala?
Na mata, nos lagos, caminhando nas pontes?
Ou dentro da "casa grande"
quando uma daquelas cobras ver minhas pernas
e delas não gostar?
Dará o bote antes que eu a veja?

Um dia, fecharei meus olhos
e não terei consciência suficiente para abri-los.
Esquecerei de vez os fantasmas
e eles descansarão de mim.

Como será? Numa das viagens pelo rio?
Ou num dos percursos de avião?
Nas estradas européias
ou nas estradas da Amazônia?
Ou será em consequência da idade
que minhas pernas falharão?
Que me deixem dormir em paz...
E sentir o fresco odor da floresta do sono eterno.

Cala-te boca...


Que digam depois que não se deve falar o que se pensa. Ou que não se deve falar sem pensar bem...Muitas vezes sou assim mas, quebro a cara. Hoje, uma cara se quebrou e não foi a minha. Demos carona na estrada para uma senhora que trabalha com agricultura. Conversa vai, conversa vem e, vinha mais da boca da senhora que da minha boca e da boca do meu marido. Num determinado momento ela (a senhora) perguntou-me: “D. Veneide...Quantos anos a senhora tem?” Eu, que estou com 6.0, desafiei-a: quantos anos a senhora me dà? Ela disse na bucha: 70 anos! Eu: “70 anos??!! Sera que estou parecendo tão velha assim”? Mais tarde, foi a vez dela: “E eu, D. Veneide, quantos anos a senhora acha que eu tenho?” Ela, que tem 43 anos, ouviu a minha resposta “ 80 anos”! Aii todos caimos na gargalhada.

sábado, 9 de março de 2013

De vez em quando...

A travessia de balsa para Mazagão.
Na estrada para Mazagão Velho: preparando a mandioca p fazer a farinha .

 De setembro para cá muitas coisas se passaram.  No inicio de outubro, meu marido chegou da França com um casal de amigos. Fizemos muitas coisas juntos. Fomos à fazenda, passeamos pelo interior do Estado. Realizamos um circuito por algumas das mais belas e históricas cidades brasileiras não como aquele turista para o qual só se mostra o que um pais tem de bonito, mas participando da vida local, pegando ônibus, entrando em filas de prioridade (o que não existe na França), comendo nos quilões (que para eles também era novidade), nos mercados populares (feira do Ver-o-Peso, Mercado de Manaus, etc),  conversando com as pessoas nas ruas, nas filas, etc. O que deu uma visão fantástica aos nossos amigos que, inegavelmente, confirmaram que o Brasil não é só futebol e mulher bonita. Eles ficaram conosco dois meses e meio!
Entre essa visitas, passamos um dia muito bom em Mazagão Velho, para começar com o que é realmente da nossa terra. Para quem conhece a história da criação dessa cidade e o quanto ela mudou a vida de seus primeiros habitantes sabe o quanto ela se tornou importante já naquele século XVIII. A história de Mazagão Velho é fascinante. Entre outros, o livro do Prof. Laurent Vidal que encontrei por acaso ao fuçar as prateleiras  de  uma livraria em Thionville, na Loraine, França, acrescentou muita coisa aos nossos poucos conhecimentos sobre a exploração da Amazônia e a persistência e o interesse da Coroa Portuguesa em conservar a posse dessas terras.  Na atualidade, o conhecimento desse passado de bravura das familias que vieram transportadas de El Jadida, no Marrocos para  esse « inferno verde »,  nos reforça a admiração pelos seus descendentes. Mas minha intenção aqui é so destacar essa importância. Para mais profundidade sobre o assunto  indico a leitura do link: 
Procure também por El Jadida e, encante-se.

sábado, 22 de setembro de 2012

Volta ao Brasil set. 2012

Depois de 9 horas de vôo saindo de Orly Sud cheguei em Caiena. Meu marido não veio comigo dessa vez. Foi só esperar um pouco e vi minha amiga Fátima chegando para me buscar no aeroporto. Dormi na casa dela e, no dia seguinte, ela me transportou até St. Jorge para atravessar de voadeira o Rio Oiapoque até o Município do mesmo nome onde peguei o ônibus para Macapá. A ponte binacional está lá, esperando para ser inaugurada e, enfim, utilizada.
Como sempre, a orla do rio é super movimentada com as pessoas que oferecem transporte de todos os tipos (água e terra).Se você for viajar de ônibus, você tem que prestar muita atenção para sua bagagem não ser levada para as 4x4 que também transportam passageiros.  Além de cobrarem mais caro correm desesperadamente, e quase sempre, o motorista esta cansado.
Duas empresas de ônibus estão operando: a Amazontur e a Santanense. O ônibus da Amazontur que sai às 12hs não tem ar condicionado, mas chega em Macapá às 22hs e você já vai estar tranqüilo em sua casa ou no hotel para dormir a noite inteira. Os outros ônibus saem a partir das 18hs. Esses têm ar condicionado mas você vai viajar a noite inteira e não vai poder apreciar a natureza. Aconselho comprar frutas e água no Oiapoque antes de ir para a rodoviária. O mercado municipal é fartíssimo e variado em frutas, etc. Para mim, esse local já é por si só um ponto de atração turística nesse Município dada à variedade de frutas que podemos encontrar lá e à maneira como os feirantes se arrumam no seu interior. É um local a percorrer com curiosidade.

Na estrada, o trajeto a percorrer é longo. São quase 600 km e ainda tem um trecho de mais de 100 km sem asfalto. As empresas estão preparando esse trecho para receber asfalto e várias pontes estão sendo construídas em concreto. Isso é bom. Como não está chovendo ainda tem poeira. Pelo menos, os atoleiros horríveis da época invernosa estão em repouso absoluto. Por isso, evite reclamações pois tem gente trabalhando para as coisas melhorarem. Só precisamos torcer para que as chuvas não caiam antes de janeiro e para que os recursos financeiros destinados a esse fim sejam suficientes.
No percurso, o ônibus faz várias paradas em locais onde você pode se lavar e comer. Mas, atenção! Não espere muita limpeza e higiene nesses locais. São o básico do básico. Leve seu papel higiênico com você e proteja-o da poeira se não quiser complicações com a sua saúde.



Fiz algumas fotos mas, confesso, a viagem não foi emocionante como as outras de época de atoleiros, rsrs. Aproveite e dê uma olhada nas fotos.


Uma coisa que adoro.

Uma coisa que adoro.
No inverno, fica tudo assim. Foto:D.B.

Os lagos

Os lagos
Pegamos nossos remos e varejões e saímos com muito cuidado para não triscar nos jacarés e sucuris. Foto: Veneide