sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Aos pais liberais.

Publicado no Diariodoamapa.com.br dia 14.01.2014

Trata-se aqui de uma sugestão de campanha educativa para os órgãos competentes. Os pessimistas dirão que é um sonho. Não importa. Tal campanha, teria como objetivo lembrar aos pais (entre os quais me incluo) o seu papel de orientadores dos filhos e, até mesmo, de controladores, alertando sobre os problemas causados pela liberalidade e, atentando para o fato de que: dar liberdade não é o mesmo que ser liberal. Liberdade é o poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas. Liberal é aquele que tem idéias ou opiniões avançadas, amplas, tolerantes, livres (Dic. Aurélio). Imprescindível ter cuidado em não cometer exageros na investidura dos adjetivos tolerantes e livres, na educação dos filhos.
Não existe um manual que ensine como criar bem os filhos. Então, que tal relembrar aquelas velhas frases e regras ensinadas na infância e na adolescência de gerações passadas: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és; Achou, não é teu, e se achou no quintal do vizinho, pertence ao vizinho; Filho deve dormir em casa e não na casa de colega; Hora certa para chegar em casa; Direção, só depois dos 18 anos, (não apenas por imposição da lei mas, também, porque nesta idade pressupõem-se que o jovem esteja preparado emocional e fisicamente para dirigir um veículo automotor e assumir responsabilidades).” Aos especialistas compete desenvolver o tema.
Parece que alguns pais têm medo de ser arcaicos. O papel dos pais não deve ser confundido. Filho não está em condições de exigir bens materiais dos pais e nem de impor situações. Os pais têm que saber dosar, orientar, ser firmes. Quando necessário, saber impor. Respeito e educação nunca serão cafonas. Não se deve confundir liberdade com libertinagem (desregramento, licenciosidade) e falta de controle.
A televisão é o canal de comunicação que entra em todos os lares. Do mais abastado ao menos desprovido. Serve de companheira e de ama-seca em muitos casos. Transporta o telespectador para um mundo inimaginável de sonhos e fantasias. E é nefasta quando incontrolada. Pode e deve ser usada para educar os pais.
O brasileiro, em geral, lê pouco. Mas todos assistem novela. Nossa sociedade está apodrecendo, e os motivos principais são a falta de educação, a corrupção e o individualismo. Sem falar na isenção total de alguns pais na educação dos filhos. Muitos pais acham que é obrigação da Escola. Mas não é. Cada um cumpre um papel definido na formação de um Ser. O mau comportamento e a falta de respeito de certos jovens têm causado graves conseqüências às famílias amapaenses. Precisa-se consertar muita coisa. Aos homens e mulheres de boa vontade, mãos à obra...


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Aventura.

Publicado no Diariodoamapa.com.br em 08.02.2014


“Mas, essa cobrinha é uma surucucu. O novo empregado que limpava ao redor da casa confirma. Sim, dona. Já era esperado que o substituto fosse embora sem fazer a limpeza de praxe. O mato crescia ao redor e o novo casal acabava de ocupar com os dois filhos a casa na beira do igarapé. O pão assava no forno porque a falta de energia estava uma constante nas residências da orla do rio e não permitia que se usasse a máquina de fazer pão. A primeira preocupação da patroa depois que se apresentou a propriedade ao empregado foi a lavagem e o tratamento da caixa de água. Já era tempo. No momento, os bezerros estão presos no curral e só serão soltos de manhã depois da ordenha das mães. O leite vem a caminho e o queijo não vai demorar. A noite anterior correra tranqüila e repousante nos arredores do Município de Amapá depois de duas longas viagens. Três dias antes um vai e vem turístico ensolarado, carro lotado com familiares, saindo de Macapá direto para o Museu a Céu Aberto da Base Aérea do Amapá para, em seguida, seguir até Cachoeira Grande. Uma noite espetacular e, depois do café da manhã seguinte, saiu-se rumo ao Sitio Arqueológico do Rego Grande, em Calçoene, na direção do Cunani. Conforme planejado, o guardião do Stonehenge Brasileiro já aguardava na cidade para servir de guia mais uma vez. Depois da volta para Macapá no domingo uma noite foi suficiente para recuperar o organismo do cansaço da estrada. O retorno àquela região na segunda-feira à tarde foi necessário para fazer a mudança dos novos empregados que aguardavam depois de quinze dias. Aventuras atrás de aventuras, não sobrou disposição para ir à festa do santo local. O sono chegou pesado. Ficar na pousada para dormir cedo foi a decisão acertada. A viagem na manhã da terça-feira para a propriedade rural situada em outra região atravessando estradas arrebentadas, atoleiros e pontes de madeira exigiria mais repouso. Principalmente porque o carro iria carregado com a família de novos caseiros e seus pertences prontos para substituir o empregado remplaçant e contentes com a perspectiva de um emprego fixo com direito ao leite das crianças e a facilidade dos peixes próximo a casa. Na pousada fora servido um suco de goiaba araçá delicioso no café da manhã. Os caroços da goiaba que nos foi presenteada pela proprietária já estão no vaso esperando grelar e ser transplantados. A popa da fruta se transformou em suco. Uma goiaba apenas rendeu um litro de suco. Vale a pena plantar. Parte da horta que antes era habitada por formigas já se havia limpado e, agora, a caseira continuou a limpeza. Brevemente estará pronta para receber os rebentos de couve, pimentão e cebolinha cujas sementes plantei ontem. Sem esquecer a chicória, a alfavaca, o caruru e a pimentinha. Uma bela horta suspensa. Porém, não se deve ter ilusões quanto aos empregados e nem ter medo de mudar quando necessário. O passado serve como experiência; o futuro é incerto, apesar de ter como termômetro o presente. A imagem do piazinho de seis anos vestido de chinezinho azul (fantasia que usou na escola ano passado), usando um chapéu de tecido leve, correndo sem medo com o padrasto atrás dos cavalos no pasto causa um misto de prazer e de temor. O casal educa bem os filhos. Sandálias e sapatos na porta da casa demonstram o respeito pelo trabalho de quem limpa e evita levar a sujeira para dentro da casa. A garrafa de café ofertada voluntariamente para a visita se servir conforme a sua vontade fora uma demonstração de calorosa recepção e desapego. Na maioria das casas brasileiras de gente abastada, atualmente, é quase raro ser recepcionado com alguma bebida. Na casa do pobre sai sempre um cafezinho. Porém, com café ou sem café, o que importa mesmo é um bom papo."

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Peão andarilho

Publicado no Diariodoamapa.com.br de 29.01.014


"A roça é um vício, dona”. Foi a frase que ficou marcada depois da conversa com o empregado para cobrar o resultado de um trabalho que deveria ter sido feito na fazenda antes que as chuvas caíssem para valer. Uma espécie de andarilho que vive entre uma propriedade e outra da orla do rio, sem endereço próprio. Sem eira, nem beira. Uma espécie de roceiro de vida nômade. Se necessário, pode ser caseiro de passagem desde que seja autorizado a tirar um tempo do trabalho na propriedade do patrão pra trabalhar na sua roça.
Uma outra espécie de dor de cabeça para os proprietários. Não se deve exigir muita coisa dele, principalmente se o verão for propício para plantar suas deliciosas melancias. Assim é aquele remplaçant (substituto) que apesar de haver construído muitas cercas e plantado ou limpado muitos pastos fazendas acima, fazendas abaixo, só possui a rede de dormir surrada e a escova de dentes usadas como patrimônio ambulante. Incapaz de repregar uma tábua que seja num tugúrio qualquer que lhe emprestem para abrigar-se, sequer cogita a compra de uma panela de pressão. Usa mesmo é a panela dos patrões que a patroa lhe franqueou ou a panela da mulher de algum amigo. Afinal, nômade como um gitano, para que fazer mais despesas?
Um cinquentão que veio há mais de 30 anos de algum lugar, que já teve família e, que, segundo ele, por interferência da sogra largou a mulher e os dois filhos (ou foi largado) para nunca mais juntar escovas de dentes ou panos de bunda com alguém. Chova ou faça luar, todas as noites dirige-se ao vilarejo mais próximo distante alguns quilômetros do emprego atual dizendo que vai “assistir televisão”.
E lá vai ele neste momento, rio abaixo sob a chuva, remando a canoa dos patrões com um remo quebrado emprestado de algum vizinho para voltar só depois da última novela ou do último beijo na aventura mais recente. Com certeza, hoje vai encontrar alguma dama disponível para dividir o salário que ele acabou de receber. Tais passeios, a favor ou contra a maré, já lhe renderam uma pensão alimentícia e uma noite na cadeia. Coisa que lhe causa mais medo do que as lontras que encontra na orla do rio ameaçando embarcar com ele na velha canoa.
Sua liberdade não tem preço. Trabalhar fixo cuidando de búfalos e de pastos é um grande sacrifício. Toca o gado para o curral com visível má vontade. Maior é a cara feia para ordenhar as vacas. Não pesca, mas é bom para desentocar poraquês, não monta a cavalo, não sobe em açaizeiro e nem em bacabeira.
A horta que estava moribunda morreu de vez e as formigas tomaram conta do canteiro. A simples menção da patroa de não esquecer de dar comida aos cães e às galinhas constitui-se numa afronta para ele. Emprego fixo por mais de três meses, nem pensar. Não se apega, não tem medo, não quer compromisso com segundos e muito menos com terceiros.
Só quer viver o dia a dia esperando a noite cair, na ânsia de sair remando para ouvir lá e tagarelar aqui, e vice-versa. Nunca se viu alguém de conclusão mais ligeira e pensamento mais voraz. Por estas e outras razões, quando não for contratado para construir cercas, o bom mesmo é tê-lo como substituto, joker, curinga, dunga ou melé do trabalho nas fazendas".


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Casemos. E engordemos juntos….

Publicado no Diariodoamapa.com.br de 07.01.014

Éramos tão magrinhos... Depois que casamos, relaxamos. O tempo em que ficamos em casa comemos, e, quando fazemos algum churrasco com os amigos sai tanta gula e cerveja que acabamos engordando. E adoramos aquela gordurinha da picanha, nham, nham. Sem falar nos restaurantes a quilo. Enchemos nossos pratos com todas aquelas delícias que, para um enxergar o outro que está sentado em frente é preciso olhar pelo lado do prato! Comemos tanto que até exageramos. Depois, voltamos para a cama, ligamos a tv e dormimos até o dia seguinte. Outra semana de trabalho no computador. Não tem como a barriga descer. Não podemos dizer que éramos elegantes quando éramos magrinhos. Tem muito gordinho elegante e feliz, como é o nosso caso. E dividindo os melhores prazeres da mesa. Não temos mais tempo para caminhar pela orla ou nas praças. Ficamos com medo de tanto assalto. Não temos tempo e nem coragem para nos aventurar em um passeio de bicicleta pela cidade. O trânsito ficou muito violento. Até para irmos ao comércio da esquina comprar um refri, vamos de carro. Além de ser mais rápido, ligamos o ar condicionado e vamos numa boa ouvindo nossas músicas preferidas longe daqueles vizinhos chatos que não gostam de barulho. Aí colocamos o som pra todo mundo escutar.... Numa boa. Esse pessoal que se arrisca a sair de bicicleta por aí ou é cego e surdo, ou não tem amor à vida. As poucas ciclovias que fizeram não oferecem segurança. Mas, para que nos preocuparmos com isso se é tão bom e seguro ficarmos quietinhos em casa na frente da televisão assistindo novela, vendo o programa do Huck, do Silvio, etc, ou, curtindo um game com a criançada? Vamos mandar buscar uma pizza e assistir a um super filme que, assim, estaremos mais tranqüilos e contribuindo para a obesidade e um futuro problema cardíaco. Você acha? Que nada, isto não vai acontecer conosco. Sabe como é: dizem que o Amapá está entre os Estados com maior índice de obesos do país. Será? Mas, olhe eu aqui na frente do espelho: não estou tão gordinho assim... Esse povo que vive malhando, caminhando, nadando deveria se mancar e comer mais. Um bando de magrelas! Mas, magreza também não é sinônimo de saúde. Então, deixa eu me conformar com minhas gordurinhas. Ohohohohoh....Aiiiii, estou com uma dor aqui no braço esquerdo. Uuuui, que dor de cabeça. Chame o médico, chame o médico, ou me leve pra UNIMED, pois estou começando a acreditar que essa história de sedentarismo e gordura vai acabar se virando contra mim. Amor..., amor..., não me deixe morrer.... Ainda tem aquele aniversário na casa do Douglas. Quero estar pronto praquele churrasco. Kkkkk. Se eu escapar desta, juro que vou começar a me mexer mais. (Personagens fictícios).

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Espectros

E mais uma poesia. Publicada no Diariodoamapa.com.br, em 05.01.14

Espectros  (08.01.2010)  Veneide Bogusz


De casas, de homens, meninos, meninas,
de almas, de quereres, de desejos, de vontades.
Espectros...

De pessoas, de animais, de sonhos,
de gente, de amigos, de vidas.
Expectativas...

Desejos, amores, dores,
Solidão. Ainda assim,
Espectros...

Brindar, sorrir, cantar,
voltar, sumir, amar.
Expectativa...

Gostos e desgostos.
Sorrisos e prantos.
Encantos e desencantos.
Certezas...

Certezas incertas e insertas
nas dúvidas,
rasgando o véu da tenra
expectativa do amanhã
que esvoaça e se perde.
Pela vida...
Espectros...

Espectros de vida,
que se transformam em certeza de futuro
no sorriso inocente e espontâneo
de um infantil abraço promissor
da criança que te olha, e não te julga.
Que só te ama.

E S P E R A N Ç A...

Reflexões despertadas pela Natureza em uma alma irrequieta.

Artigo publicado no Diariodoamapa.com.br no dia 07.12.2013.




O vento sopra forte nas mungubeiras que crescem viçosas às margens do rio, plantadas para frear a queda da ribanceira provocada pelas ondas que seguem o passar dos barcos. O desmatamento da mata ciliar feito por antigos moradores, talvez sem perceber a gravidade de seus atos, quase derrubava a casa que agora pertence à minha família e que protegemos através de barragens e esteiamentos. Como único barulho a cortar o silêncio das 14 horas desta terça-feira 19 de novembro de 2013 está o rio jogando suas águas contra a canoa e o barco aportados em frente à casa, aumentando seu volume acompanhado pelo vento e por algumas araras que passam escandalosamente como se tivessem sido espantadas por alguma besta. O galo canta todo faceiro debaixo de nossa palafita exibindo a masculinidade de sua voz para as galinhas. Outro galo responde do outro lado do igarapé. Uma das galinhas cacareja. Silenciaram... Ouço, neste instante, o cantarolar de pássaros ao lado da casa na torre-escritório que meu marido projetou e fez construir. Meu marido aprendeu a fazer a siesta com os brasileiros. Neste momento ele dorme como um anjo repousando do trabalho que fez com o empregado e, em frente a mim, só tenho o notebook e este rio majestoso, encantado e encantador. Nesta mesma varanda, tomamos o café da manhã e o almoço com a concorrência de pássaros, botos e ariranhas que fazem de seu percurso pesqueiro um verdadeiro espetáculo diário. Que vida boa, sumano! Mas a cólica que comecei a sentir esta manhã depois que joguei veneno em algumas cabas, (ou será que foi o camarão que peguei aqui no rio e não cozinhei bastante?) insiste em me fazer lembrar que, o rio, dependendo da ação do homem sobre a natureza pode ser eterno. Mas, eu não sou eterna, por mais que eu queira me perpetuar através do pensamento e da persistência.
Lembro da música “Tempo perdido”, da Legião Urbana e reconheço o potencial da sensibilidade e da inteligência de Renato Russo (como se este meu voto tivesse algum valor, pois que o mundo já havia consagrado isso antes de mim).
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo

Aliadas ao ambiente bucólico deste meu tempo presente, estas letras riscam forte nas paredes dos labirintos da memória trazendo à sensibilidade do pensamento lembranças de um tempo que passou, da vida que passou e da juventude que escoou na sua esteira. Agora, aposentada, parece que tenho todo o tempo do mundo. Ledo engano... Minhas três vidas não me deixam ociosa, felizmente. Contribuí com o “destino”, digamos assim, para ter estas três vidas as quais me refiro. Talvez, por medo que a insuportável e viciosa rotina que envolve a maioria das pessoas envolvesse a minha também. Uma vida no Brasil, outra vida na Europa... A terceira vida é a mais simples e a mais gostosa: vivida na beira do rio onde tudo é primário e selvagem. Onde, escutando o grito dos guaribas à tarde e de madrugada sinto a atração ímpar que o mundo selvagem exerce sobre mim. Onde posso remar beirando este rio, desafiando-o e sendo desafiada dando vazão às minhas origens indígenas, que, embora dividindo meu histórico genético com as origens libanesas e européias são as que prevalecem. Junto com meu marido e os empregados, descobri que o trabalho no curral com os animais me agrada acima de tudo. Nestas matas, onde cada passo precisa ser cauteloso para não se pisar em uma cobra (e até dentro da casa!), e adentrar a floresta no lombo dos cavalos requer constante atenção. Aqui, não se usa ferro elétrico, mas, contraditoriamente à primariedade da natureza ao redor tenho uma máquina de lavar louças, outra de lavar roupa, aspirador de pó e uma máquina de fazer pão! Assim, sobra tempo para escrevermos e arranhar notas musicais com a garantia do pão feito em casa enquanto exercemos o intelecto. Como unir o útil ao agradável em um mundo selvagem? Com um certo conforto de primeiro mundo... (Pausa para desenfornar o pão que meu marido começou).
Uma de nossas prioridades agora é a descoberta das atrações dos outros municípios deste belo estado e a freqüência a encontros musicais com a grata satisfação de encontrar novas pessoas. Sair da toca é importante.
(Neste instante, o empregado chama atrás da casa querendo saber sobre a troca de alguns tarugos. Esta é uma das facetas de nossa vida na fazenda).
Chegar ao amadurecimento equilibrada emocional e financeiramente foi uma vitória conquistada. Nasci na hora em que o sol aparecia em frente à casa de meus pais, na Rua Cândido Mendes, em um quarto que depois virou sala de jantar. Fui moleca de correr na rua, brincar de “pira” e de “caí no poço” sem medo de arrastão e de assalto. Apesar de encarar com frieza alguns acontecimentos nem sempre tenho tato para lidar com a emoção. Não sei conviver com a mentira, nem com o fingimento. Desculpem-me os puxa-sacos. Carreei muitos amigos e alguns inimigos com minha franqueza. Não sou Made in China. Não acumulei riqueza. Sempre tive por lema o auto-respeito, a liberdade e a paz de espírito. Investi nos estudos e em viagens. Estes são meus bens e, com eles, não dou margem ao egoísmo e a avareza. Procuro ser honesta e justa comigo mesma e com os outros. Não usurpo o direito dos meus empregados. E sou conhecida assim, além da minha “chatice”, franqueza e alegria.
Vivemos em sociedade. O mundo se agita muito fora daqui deste pedaço bucólico de rio do Norte do Brasil. E a cada segundo tem uma novidade ou uma repetição de fatos.
A novidade deste momento é a prisão dos “mensalistas” que se julgavam acima da lei, e a dor de cabeça do Mr X, que imaginava que era o deus do empreendedorismo (como explicar essa palavra para meu marido?)
O império X s’est cassé la gueule (quebrou a cara) mas já estou aqui matutando com meus botões se esse rapaz não vai aparecer de novo pelo Amapá ou alhures, vestido de santo (ou barganhando mundos e fundos com possíveis “associados” de plantão) e se apoderar de outras riquezas para encher novamente o bolso e tentar recuperar o seu ego falido e machucado. Fico preocupada se nosso povo de memória curta e de credulidade fácil ainda vai reeleger um certo pessoal que, na expectativa de um processo judicial, continua a contar vantagens na cabeça dos simples.
Só nos resta torcer para que vença o justo nesta terra de cegos e neste mundo de caras de pau oportunistas para quem a pimenta no dos outros é refresco.
Neste instante, um homem bom e justo para com o seu ideal de liberdade e fraternidade acaba de transpor o portão do repouso eterno: NELSON MANDELA.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Para Andaoa, minha mãe.




Aqui, a presenca que mais me falta.
O maior amor que jamais pessoa me dedicou.
A ela, essa poesia de Set de 2009:

MINHA MAE
(23.09.09)


Tua alegria me contagiou quando nasci
Diante de tua formosura, eu tremi
Criatura mais bela e terna jamais conheci.

Tuas mãos, como mãos de fada,
Transformaram em realidade o nada
Bastou que me olhasses para que eu sentisse
Que, mesmo cortando o cordão umbilical
Nossa amizade seria eternal

De dia, foste meu sol,
De noite, foste minha lua,
Minha estrela guia sempre presente.
Única luz na escuridão.
Meu oceano profundo de ternura.
Foste minha fada, minha eterna deusa.
Foste minha amiga, minha cúmplice.

Agora, és a dor jamais esquecida
A alegria jamais repetida
Minha fonte eterna de inspiração.

Se não podes saber o quanto me arrependo
de não te haver poupado mais da labuta diária...
Uma coisa conforta essa desditosa filha tua:
O teu colo sentiu o carinho que te aqueceu
A cada beijo depositado no rosto teu.

sábado, 2 de novembro de 2013

Já que se fala tanto em poesia...

Puxa! Estou bem atrasadinha com meus posts...Peço a meus leitores que não me levem a mal. Aqui, realmente, é o espaço ideal para treinar e alimentar minha veia sedenta de escrita mas que, por um motivo ou por outro tenho contido ou adiado. Depois que conheci o Faceboook, venho inserindo minha fotos de passeios por lá com algum comentário. Manter contato com meu filho foi a única razão que me fez entrar para essa rede social pois ele não visita meu blog por falta de tempo. 
Por enquanto (vejam só, já vou escapulir daqui)...Como eu dizia: por enquanto, vou deixar uma poesia de minha lavra que já tem um certo tempo. Desculpem o atraso.

O SONHO.

Minha alma fugiu de meu corpo
em uma noite de sonho.
Esteve contigo,
jogou-se em teus braços
num último e terno afago.
Então, viu no teu olhar
que por alguma razão
teus passos queriam partir
mas teu coração queria ficar...

Fui acordada de repente...
Era tão forte, tão latente!
Aí me dei conta então,
que chegara perto a morte
para livrar-me da triste sorte
de continuar longe de ti.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Adapte-se ou estrumbique-se!

Quando você é cônjuge de estrangeiro e você divide o tempo entre o seu país e o de sua cara metade necessariamente você tem que se comportar ou tomar atitudes que evitem conflitos, choques culturais, desrespeito, etc. Principalmente quando a casa onde você reside temporariamente é dividida por pessoas de 3(três) nacionalidades diferentes. (Na casa francesa somos: eu, brasileira; marido e enteado franceses e nora polonesa. Bela composição pois os poloneses são muito simpáticos e altruístas). Esse comportamento é o desejável e até mesmo o exigível quando você vai de visita a um outro país mesmo que seja em viagem de turismo. É a regra do “saber se comportar na casa alheia”.  Por exemplo: se você for a um país muçulmano você não vai andar de shortinho ou mostrando a metade dos seios, se for mulher. Tipo de comportamento inconcebível na cultura muçulmana.
Isso não é fácil para todos pois existem pessoas que não conseguem se integrar. Esse tipo de pessoa sofre muito e faz sofrer o seu próximo.
No meu caso e no de meu marido, quando chegamos no Municipio de Oiapoque já sentimos que o ambiente demanda muita atenção, principalmente quando você se dirige ao porto para atravessar o rio da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa, o Rio Oiapoque. Você é assediado pelos condutores de catraias (voadeiras), por carregadores e por pessoas que trabalham para as empresas de ônibus ou táxis piratas que transportam para Macapá, no afã de captar clientela. Do outro lado do rio, do lado guianês a situação é a mesma. Se você não ficar atento sua bagagem vai para a catraia deles antes que você esboce qualquer gesto contrário (eu já fiz alguns trazerem a minha mala de volta para mim). A concorrência é grande e isso é preocupante porque existe um excesso de mão de obra disponível que precisa ser formado para outro tipo de trabalho. E, claro, para isso é necessário criar-se emprego. Principalmente quando se inaugurar aquela ponte bonita que se deita de uma margem à outra do rio, atravessando a fronteira. Aquela ponte tão desejada pelo turista que terá sua travessia facilitada mas, olhada pelos catraieiros como rival.
Na Guiana, você já começa a pensar como francês, porém, como a diversidade dos povos ali é muito marcante, você de certa maneira, ainda se sente à vontade para expressar a sua brasilidade. Entenda: tem muitos brasileiros na Guiana Francesa.
Quando você sai do avião no aeroporto de Orly, no Sul de Paris, aí sim, você veste a roupa do clima (em todos os sentidos). Em se tratando de meteorologia o clima pode mesmo estar frio, como estava  na nossa recente chegada aqui e, é bom você começar logo a fazer cara de francês, pensar como francês e saudar as pessoas como francês, beijo/beijo sem abraçar, como se tivessem se separado no dia anterior. Francês não se pendura no pescoço do amigo como nós, brasileiros. É tudo muito formal, mas cordial. Já, com a irmã do meu marido a gente se pendura uma no pescoço da outra e, com a minha sogra era assim também. A esposa polonesa do meu enteado é como os brasileiros: beija e abraça com espontaneidade. Mas, cada um com a sua cultura e as maneiras conforme foi ensinado. O povo francês respeita a individualidade do outro e isso também é bom. Adaptemo-nos para evitar conflitos. E, principalmente, não esqueça disso no trânsito. Desengavete sua carteira francesa de motorista (permis de conduire) que ficou na gaveta do armário do seu quarto e obedeça as leis de trânsito. Você não vai querer arranjar problemas para você, não é mesmo? Se você gosta de fotografar, ande com sua câmera: tem muita coisa diferente lá do Brasil que você vai querer guardar dentro da caixinha para ver mais tarde e mostrar para a familia e os amigos. Curta as formas de vida que você escolheu para você e não se lamente pois tudo passa muito rápido. Por isso, aqui estão algumas fotos das nossas idas e vindas.

Na fazenda, Rodolfo, o meu sobrinho bacana.
A bicharada aumentou.
A construção da barragem no Rio Araguari, em Ferreira Gomes.

As estradas por onde dirijo para a fazenda no Brasil.

Afastando o barco da ponte.


Anaconda morta às margens do Rio Araguari, Cutias. 7 ou 8 m.
Vaso de planta com uma jibóia, na nossa fazenda.
A ponte sobre o Rio Oiapoque.
St George, G.F.
Descemos do carro para salvar a preguiça que atravessava a estrada. G.Franc.
A primavera chegou toda branquinha por aqui.

O encontro com a familia francesa ao redor do bolo de chocolate da Karolina.






segunda-feira, 8 de abril de 2013

Teus atos


França, maio de 2009.

Conta-me um segredo
Que eu não possa revelar ;
Faz um gesto
Que eu seja incapaz de imitar ;
Faz-me um carinho
Que me faça estremecer;
Conta-me uma estória
Que eu seja incapaz de esquecer ;
Conta-me uma piada
Que faça a tristeza passar;
Dá-me um belo sorriso
Que o tempo não consiga apagar;
Quando você me olhar,
Olhe-me com tanta ternura
que do meu próprio olhar
Se perca toda amargura.
Abriga-me no calor do teu corpo
E enrola-te no amor do meu.

Uma coisa que adoro.

Uma coisa que adoro.
No inverno, fica tudo assim. Foto:D.B.

Os lagos

Os lagos
Pegamos nossos remos e varejões e saímos com muito cuidado para não triscar nos jacarés e sucuris. Foto: Veneide