terça-feira, 15 de julho de 2008

Memorial da Shoah

Desculpe se esse post choca ou causa tristeza. Não é essa a intenção. Esse tipo de coisa sempre entristece. Mas precisamos conhecer, pois, além dos muros encantados ou desencantados das pessoas, entre as quais me incluo, existe uma vida real na qual não tem mais cabimento ignorar o sofrimento de vitimas de todo e qualquer tipo de preconceito ou perseguição ou escravidão, seja onde for nesse planeta chamado Terra.

Um exemplo da lista. O ano é o da deportação.

Estive com meu marido semana passada em Paris para tratar de assuntos pessoais na Embaixada do Brasil. Depois de tudo resolvido, fomos ao Museu da Marinha no Trocadéro e, finalmente, no Memorial da Shoah, Centro de Documentação Judia(Judeu) Contemporâneo/CDJC (17, rue Geoffroy l’Asnier 75004 Paris, Marais). Meu desejo de conhecer esse local despertou quando li o Diário de Hélène Berr. E eu não poderia perder a oportunidade de conhecer o original manuscrito de seu diário e conhecer algo mais sobre essa jovem de futuro tão promissor, que a bestialidade do regime nazista e os colaboradores do pais segregaram num campo de concentração. Primeiro, debrucei-me sobre a vitrine onde está exposto seu manuscrito, confesso que contive a emoção para não chorar. Depois, percebendo um banco à frente da vitrine, sentei-me e fiquei alguns minutos folheando sua biografia. Acariciei seu rosto através da foto... Mas são tantos os documentos, as lembranças e testemunhos de pessoas que perderam a vida vítimas dessa ideologia que tive que me levantar para continuar meu percurso. Vídeos mostram o depoimento de pessoas, hoje com mais de 70 anos que tiveram a sorte de sair com vida dos campos, como é o exemplo de Simone Veil, antiga ministra de Chirac. Sua mãe não resistiu e faleceu assim como milhões de pessoas. Uma outra senhora mostrou no seu braço o n° que os nazistas gravavam nas pessoas. Eram ferradas como se ferra gado com números ! Uma tristeza. O que eles contam e o que as fotos mostram é estarrecedor. As latrinas eram a céu aberto em uma espécie de tronco cheio de buracos, um ao lado do outro, onde as pessoas faziam suas necessidades em comum. Mulheres, homens, jovens, crianças… Um dos objetivos disso tudo era rebaixar as pessoas a zero, reduzí-las a nada, abater sua moral. Recebiam uma ração de comida à noite! Em muitos campos não havia água. As pessoas morriam de tifo, de fome, de frio, quando não eram embarcadas nas câmaras de gaz ! E os soldados atiravam por qualquer coisa. Eram uns sanguinários! Existe uma maquina agricola de madeira no memorial que comprova que trituravam seus ossos depois que as matavam.
Apesar de muitos fatos já haverem chegado ao conhecimento das pessoas e de já haver lido bastante sobre o assunto, sempre tem alguma coisa que ainda está por ser contada.
No pátio do memorial estão gravados em muros os nomes das vítimas, mas também, em outro muro lê-se uma grande lista dos chamados Justos, que foram pessoas de varias nacionalidades (lembra do filme "A Lista de Schindler") que ajudaram muitos judeus salvando-os da deportação e, em conseqüência, da morte.
Que esses fatos jamais se repitam, que as pessoas se amem realmente umas às outras e respeitem a vida. Seja onde for: na Europa, na África, na Ásia, nas Américas…onde houver gente, onde houver vida. Que todos vivam em paz!


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6 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Deu-me uma tristeza ao ler isso, mas estou melhor, engordei um quilo, agora são 38! Postei sobre um filme, mas qual vc tem de vir aqui:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com
não há ponto depois de www
Um beijo,
Renata

Sahmany disse...

Taí um assunto que sempre me deixou estarrecida. Por mais que o tempo passe ainda assim fico de cara. Eu não consigo entender o que leva uma criatura a ter tanto ódio, sem motivo, por outras pessoas.
Abraço pra vc.

Liz / Falando de tudo! disse...

Ah, eu também ^me emociono quando vou a museus, memoriasi ou exposiçoes que falam dessas barbaridades da humanidade, isso me faz pensar a que pode chegamos...nao nos...somente alguns, pois acredito que agora talvez possamos viver em paz!
Liz

Roseane, disse...

Ah Paris...tanta coisa boa, museus...Você vai voltar para terra brasilis? Qual cidade? Puxa podíamos nos encontrar mesmo...mas acho que até domingo não será possível. Você só volta para as oropas em abril de 2009 é? O tempo por aqui tá rídiculo, não gosto de frio e esse verão tá muito mixuruca. Bjks! E obrigada pela força e palavras sobre a entrevista.

Marcos disse...

Você tem razão, sempre há algo que ainda não sabemos, principalmente em relação aos tipos de torturas e "pesquisas científicas". Essa máquina de moer ossos, por exemplo, eu não conhecia. O mais revoltante não é o passado, esse deixa a tristeza e os conhecimentos. O que revolta de verdade é saber que existem milhares de imbecis que gostariam que a história se repetisse.

RoseStaccone disse...

Ve, estive em alguns museus no Marais ano passado, mas infelizmente nao tive o tempo de me aprofundar nas pesquisas de documentos... ficara para uma proxima vez...é realmente chocante as coisas que vistes e agora contas nesse post..., e apesar de que este assunto foi, é e ainda serà exaustivamente discutido, nao deixara nunca de ser chocante! Mas o que mais me deixa preocupada é que hj aqui na europa, esta cada vez mais se difundindo um movimento Neo Nazista chamado "Naziskin" que apesar de todos os esforços que a policia tem feito para acabar com esse movimento, a gente aqui ouve cada vez mais falar sobre episodios (nem tao isolados) di natureza nazista. e isso sim, deve ser liquidado o quanto antes...

Uma coisa que adoro.

Uma coisa que adoro.
No inverno, fica tudo assim. Foto:D.B.

Os lagos

Os lagos
Pegamos nossos remos e varejões e saímos com muito cuidado para não triscar nos jacarés e sucuris. Foto: Veneide