quinta-feira, 23 de junho de 2016

Quem tem rabo de palha não passa perto de fogueira.

Publicado no Diário do Amapa em 23.06.16

Atualmente no Brasil há uma grande fogueira acesa queimando na horizontal e na vertical. E o motivo não é a quadra junina. O fogueiraço em evidência queima a mente cheia de má fé dos envolvidos em diálogos nada santos. É pior que as fogueiras da Inquisição que, por sua vez, também não foram santas. Nem santa foi a Inquisição. Nada que faça imaginar atualmente a existência dos considerados hereges ou bruxinhas de nariz grande que voam montadas em uma vassoura e que povoam a mente das crianças nos contos de fadas (aquelas que ainda acreditam em fadas, duendes e bruxas de acordo com a fantasia recebida da família, contos de ninar, etc). Se bem que, infelizmente, muitas de nossas crianças cedo conhecem o lado grotesco, repleto de bruxas más da vida, a maioria por omissão de quem deveria agir para amparar e proteger a infância, o ente maior: o Estado. Não com bolsas paternalistas que fomentam o comodismo/desemprego e incham o orçamento do estado mas, dando oportunidade de trabalho e salário dignos aos pais para manterem sua prole na escola.  Se estivéssemos na Idade Média, as personalidades envolvidas atualmente em todas essas operações da Polícia Federal, com certeza seriam condenadas à fogueira tamanho são os crimes contra a nação e o povo brasileiro dos quais estão sendo suspeitos. Têm sorte por viverem neste século pois, apesar de não respeitarem a Constituição Federal, estão amparados por um de seus Princípios mais sagrados, o Princípio da Ampla Defesa... Os personagens deste fogueiraço (políticos, executivos e técnicos atualmente envolvidos em grossas maracutaias, mais parecidos com bruxas do que com fadas), não voam em vassouras nem em tapetes voadores. Voam em jatos particulares ou à custa de algum empresário em troca de favores pagos com o nosso dinheiro. O meu, o seu, o dinheiro dos impostos que pagamos! Não dá para desacreditar que aquelas conversinhas foram tão inocentes assim. Dá? Agora, cá pra nós, a maneira como foram conseguidas é que foi de uma nojenta má fé, não foi? Apesar de que, quem gravou estava se preparando para defender o dele que estava na reta! Dá para medir força entre um tubarão e uma baleia? Será que as ditas conversas foram imaginadas “inegraváveis ou “inescutáveis” ou até mesmo porque os personagens se julgavam inatingíveis? Ou imexíveis (lembrei do ex-ministro Magri). E vazaram!
Não apenas Brasília mas o Brasil inteiro ferve com delações e gravações. As redes sociais, o Youtube, etc, estão cheios de informação.  Quanto mais se mexe na lixeira, mais sai lixo. E o povo brasileiro exige mudança nas leis, mudança na política e, principalmente, no tipo de político. Não acreditamos mais! O sistema é todo corrompido até no nível estadual! Por falar nisso, o que aconteceu com aquelas Operações da Polícia Federal aqui no Amapá? Como cidadãos, temos o direito de saber.
“A lava jato é uma intervenção no crime organizado”, Joao Guerreiro da Redebrasil.net resume, em poucas palavras, que o país está em intervenção. Como acreditar nos políticos que temos se os implicados são mais de 140! É a quadrilha do Ali- Babá e mais 100! Quantos políticos não se envolveram com a lama que sai todo dia desse esgoto?
Por esse e outros motivos, qualquer cidadão inteligente que priorize o país e a população, entenderá que defender eleições agora seria um grande risco para o país.

Quanto ao Eduardo Cunha, “um dos 60 homens mais poderosos do país”, imagine o caro leitor se ele resolver fazer delação premiada? Ou se a sua mulher e sua filha seguirem o exemplo de Nicéia, ex-mulher de Celso Pitta, que denunciou o esquema de corrupção em que o marido estava envolvido em São Paulo? Ufa! O fogueiraço vai se transformar em uma bomba atômica! 


quinta-feira, 16 de junho de 2016

O jet lag do Douglas.

Publicado no Diário do Amapá em 01.06.16

Agora que você voltou de sua viagem espacial e se recuperou do jet lag, Douglas Lima, espero que esteja com a saúde em paz com o universo, amigo. Se você tivesse aterrissado em Brasília veria que os escândalos mais recentes atingem pessoas que estiveram bem pertinho de nós aí no Amapá. Mas você escolheu aterrissar na terrinha Tucuju onde os escândalos não são diferentes. Não só você mas, eu também, e uma boa parcela de amapaenses que esperam e querem o melhor para os estudantes de nossa cidade, fomos pegos de surpresa bem no cerne do tema de meu último artigo sobre a Educação. Lá onde eu discorri acerca do nascimento de Ayumi, minha sobrinha neta. Você lembra? Confesso-lhe que, com tanta roupa suja sendo lavada na política nacional colocando em questão a seriedade de nosso país ferindo de morte a nossa economia, empurrando nossa juventude cada vez mais fundo no abismo, tirando a esperança dos pais de família de verem sua prole crescer sadia e constituir por sua vez sua própria família,  eu também, mesmo estando longe daí fisicamente (porque deixei minha alma e meu coração às margens do Rio Amazonas) eu também, repito, sinto-me tentada a me associar, quem sabe aos chineses e pegar uma nave espacial para ir bem alto apreciar tudo isso de longe, lá do infinito. Porém, o sentimento e o zelo pelo meu país não me permitiriam jamais virar as costas para os acontecimentos atuais. É assim que, com outro artigo pronto para te enviar, li, reli, rabisquei, mudei várias frases, até que estou desistindo de enviá-lo porque já me parece obsoleto face às novidades que se apresentam a cada momento na nossa suja política nacional. Naquele rabisco de artigo não enviado eu abordava a esperança que nosso povo deposita na faxina política e na melhoria da situação geral brasileira; eu conversava cá com meus botões sobre uma provável operação da PF na questão do milhão federal e dos uniformes mas, torcia para que o fato se esclarecesse e um ou outro aparecesse (esperança minha); eu divagava também sobre a hora e a necessidade de se fazerem novas eleições presidenciais, o que, no meu entender não seria o  momento certo, pois quem elegeríamos? Lula mais uma vez, que coligaria com Marina? Ou Marina, que coligaria com Lula? Ou seria com quem? E eu continuava: “o Brasil carece de opções. Quem poderia nos apontar algumas? O Brasil precisa de mudanças imediatas. Precisa atrair de volta os investidores. Não temos tempo, nem dinheiro, nem candidatos para investir em uma nova eleição agora. Que tal darmos um tempo para o país respirar e tentar levantar a economia e lavar a alma perante a comunidade nacional e a internacional? O que queremos é um país conduzido por pessoas decentes que respeitem o cidadão brasileiro. Assim, a saúde, a segurança, a Educação e tudo o mais, funcionarão melhor. Este blábláblá é repetitivo? É . Mas o prejuízo também é. E o poço está cada vez mais profundo”. Isto seria parte do artigo que não lhe enviei. Transformei-o em uma metalinguagem? Não importa.
Porém, com razão o Senador Cristóvão Buarque disse “a situação que enfrentamos é culpa de todos”. Ele pronunciou esta frase no Senado onde muitos bem mereceram escutá-la e muitos de nós aqui de fora, também. Uma frase a ser analisada.

Não, não farei uma viagem espacial, Douglas. Não irei para outra galáxia porque quero ver o resultado disso tudo aqui neste Planeta! Mas de bom grado eu colocaria numa nave espacial, sem retorno, os salvadores da pátria pré-candidatos ao cargo de prefeito que já começam a ricochetear discursos na mídia “representamos a mudança e a esperança de um povo que está cansado de sofrer” blábláblá. Ai! Poupem-nos, senhores! Discursos vazios que já caíram de moda. Ou será que alguém ainda acredita nisso? Se continuarmos a acreditar em salvadores da pátria não sairemos da mesmice. E é o que menos precisamos. Ou nunca mais nos recuperaremos do jet lag causado pela hipocrisia política.


Temos sido muito gentis.

Publicado no Diário do Amapá em 10.05.16

Temos sido muito gentis e, a maioria das vezes, coniventes. A complacência usada por longo prazo gera a indolência e, infelizmente, é apreendida como senso comum. Para dar um exemplo: a corrupção, que entrou no conceito de muitos como sendo uma coisa normal; o ganho fácil e o lucro exacerbado. A situação que vivenciamos no Estado do Amapá e em vários outros estados (salários parcelados, reivindicações de pagamentos de terceirizados, etc, saúde, segurança, educação sucateadas, violência aumentando demonstram que, há muito tempo, os gestores perderam o controle administrativo e financeiro daquilo que evitaria que chegássemos a esse caos. Não cabe mais justificar a crise amapaense como se fosse exclusivamente uma consequência da crise nacional, do rombo da Petrobrás e de outros rombos, porém, a má administração da coisa pública brasileira e amapaense gerou os dias atuais. Para externar a minha opinião, minha e somente minha, fruto do meu exercício de memória e de raciocínio, fruto da minha cidadania, digo que fico cada vez mais pasma ao ver e escutar na mídia as propagandas das obras que estão em andamento em alguns municípios do Estado. Pergunto: Não está faltando dinheiro para se investir nos setores essenciais? Se tem recurso financeiro sobrando para propagandas das obras dos gestores por que não se tomam providências legais para que esse recurso possa ser transferido para os serviços que interessam realmente ao cidadão amapaense? Será que a razão está na mentalidade dos gestores que imaginam que o povo ainda é aquele povo que não questiona, não vê e não tem inteligência? O povo da política do pão e circo? Imagino que algum conselheiro político ou de qualquer outra coisa, diga ao gestor: vamos lançar uma propaganda para lembrar ao povo as obras que Vossa Excelência está construindo e assim, acalmar os ânimos e as críticas negativas. E, pá! Lá vem aquelas palhaçadas adentrando a minha, a sua residência, caríssimo amapaense. E a impressão que me causa vendo a cara de pau da pessoa vomitando essa propaganda de obras realizadas é que, no seu entender eu sou uma idiota, uma pateta alienada que vive nas nuvens e de novelas (coisa que detesto) e que eu vou esquecer que no Amapá tem o Aedes Aegypti que, quando não mata, aleija; que no Amapá a maioria da população não foi vacinada contra a H1N1, que no Amapá reinam a paz e a segurança gerais. O caos que nos abate nos últimos meses com o impedimento de quase todos os pretensos substitutos, fazem crer que nenhum dos candidatos à substituição da presidente parece estar isento, até processo transitado em julgado, muitos dos quais nem iniciaram. Haja circo e lixeira para suportar tanta sujeira moral! O brasileiro sério que não está atolado nessa imundície deve, realmente, ter estômago de aço para aguentar tudo isso... Precisamos nos indignar mais. Precisamos ser menos complacentes. Com inteligência.


Nasceu Ayumi.

Publicado no Diário do Amapá em 04.05.16

Nasceu Ayumi, minha primeira sobrinha-neta. Ayumi nasceu bem, porém, após os primeiros afagos paternais inspirou cuidados médicos por haver ficado “roxinha” segundo a mãe me relatou quando fui visitá-la com minhas boas-vindas. Mais uma criança veio ao mundo, mais uma menina, mais uma mulher. Felizmente Ayumi nasceu em um país ocidental, um país cristão. Quem conhece a situação da mulher na Índia ou no Paquistão, onde a mulher é odiada, ou em países africanos que praticam a excisão do clitóris nas meninas (mutilação genital) compreende porque Ayumi é uma felizarda (e eu também) por havermos nascido em um país cristão. Bom, aqui teríamos assunto para milhares de artigos.
Ayumi nasceu em pleno efervescer do processo de Impedimento da Presidente da República do Brasil, no vigor da Operação Lava Jato, da Operação Acarajé e tantas outras dignas de nossos políticos e comparsas, a maioria corruptos. Sem esquecer da interminável, inquestionada e adormecida Operação Mãos Limpas que, depois de todo o esforço e o brio do aparato policial, dorme em algum canto esperando pelo príncipe encantado que venha despertá-la com um beijo.
Ayumi chegou e já deu aquele sorriso dos inocentes que os músculos faciais de um recém-nascido provocam. Chegou sem saber que é bem-vinda e querida porque de nada se dá conta ainda. Ayumi  é recebida neste contexto geográfico amazônico sempre promissor e muito cobiçado por países que destruíram seus recursos naturais. Mas Ayumi chegou também em um contexto moral, ético e político avassaladores. Isto é a mistura de boas-vindas que nossa sociedade preparou para ela e para tantos bebês que nascem todos os dias. Seus pais já fazem planos para seu presente e seu futuro. Entre os planos futuros está o de frequentar a escola, com certeza. Mas nem por isto conhecem o problema da Educação em nosso país, em nosso Estado. Um problema que, parece, não ter solução por falta de interesse dos capitães mores em resolver as dificuldades pelas quais passa o ensino público. Seus filhos podem estudar sem essas dificuldades porque frequentam escolas particulares mas Ayumi e tantos outros bebês têm pais que não podem pagar uma escola particular e, sequer, têm dinheiro que justifique a compra de uma carteira porta-cédulas. Somo minha indignação à indignação de Douglas Lima presente na edição do Diário do Amapá de 28.04.2016 : “...  Mas uma educação capenga parece existir só aqui. É só olhar pro Bailique, onde até agora, pasmem, as aulas de 2016 ainda não começaram. O por quê? Falta de professores. Incrível! Educação é um direito garantido na Constituição Federal. Mas em se tratando disso o Amapá parece não ser Brasil”.
Para completar e reforçar as indignações faço das letras de Douglas as minhas: “Terra que não evolui. O Amapá era pra ser um estado modelo do Brasil, quiçá da América Latina ou mesmo do mundo... Sabe por que falo isso? Porque desde que cheguei aqui, no início dos anos 1990, ouço e divulgo como jornalista as carradas de dinheiro que chegam aqui. É grana proveniente de emendas parlamentares, recursos federais, empréstimos bancários para as mais mirabolantes obras, receitas próprias do estado e do município. Dinheiro pra cá, dinheiro pra lá. Em suma, uma grana grossa. Mas nada ou quase nada é feito...”

É, Douglas, como podemos imaginar para nossas crianças uma educação digna com escolas dignas se no Amapá e seus Municípios não está havendo o investimento necessário para tal? Como posso acreditar que a Ayume e os bebês que nascem todos os dias terão escolas com a garantia de professores, bibliotecas, merenda escolar, segurança, etc, se a Ayume não é filha de vereador, deputado, prefeito ou governador, nem seu doutor, para que seus pais possam pagar escolas particulares, o que por si só, é um desvio de finalidade do Estado e um crime contra a educação básica pois a escola gratuita é uma garantia da Constituição a toda criança, a todo jovem, a todo filho do pai ou da mãe, seja rico ou pobre. Se o Amapá parece não ser Brasil, com todo esse desprezo pelo povo e pela melhoria da vida do cidadão, apesar de toda a grana que veio para cá, eu repito o que ouvi um dia de um ribeirinho: aqui deve ter sido enterrada uma cabeça de boi bem chifruda para emperrar o progresso, você não acha?


Ser brasileiro.

Publicado no Diário do Amapá em 30.04.16

Para se compreender a alma do brasileiro
Há que se despir de todo preconceito e se empanturrar de paixão.
Há que se embriagar da natureza do brasileiro e esquecer toda forma científica que define um povo.
Ser brasileiro não é ser pobre ou rico, nem branco, negro ou amarelo
Não é ser indígena, europeu, asiático, africano ou oceânico.
Ser brasileiro é ser tudo isto misturado em um só sentimento,
Embora em várias maneiras de ser e vários pensamentos.
Por isso, ó prezado estrangeiro, não diga que você conhece o povo brasileiro
Se você não sabe o que é o apego e o amor à Pátria amada,
Se você quer exigir a objetividade e a imparcialidade nas emoções de um brasileiro;
Se você não sabe reconhecer o orgulho desse povo por seu país, ainda que a pátria mãe tenha dado seio e abrigo a um monte de corruptos e outro monte de arrogantes que envergonham a nação, não julgue o sentimento do povo brasileiro.
Não diga que você conhece o povo brasileiro se você não sente seu estômago revirar de náuseas e tristeza com a desordem que atinge este país por culpa de outros maus brasileiros.
Ser brasileiro é saber surpreender com a criatividade; é saber improvisar do nada quando as fórmulas pré-concebidas lhe escapam;
É saber inventar o dia-a-dia sem parâmetros estudados, sem agendas pré rabiscadas; é saber ser íntimo ao ponto de se auto convidar para um café ou uma cerveja na casa de um amigo na certeza que, em vez dele responder: “não dá, tenho um encontro com outro amigo”, ele dirá: “venha, ficaremos todos juntos”. Mesmo que seu amigo saiba que você é um cara de pau ele te acolherá por conta do sentimento de amizade. Porque na casa, na mesa e no coração de um brasileiro sempre cabe mais um; porque na panela de feijão tem lugar para acrescentar-se um pouco de água. Mesmo que o tamanho da panela seja o limite necessário para se evitar o abuso.
Ser brasileiro é se deixar transportar para onde o vento soprar sem medo do desconhecido porque você sabe “se virar”, é saber mudar quando a situação o exige, é fazer das tripas coração em épocas de crise;
É saber separar o joio do trigo e expurgar as ameaças à Democracia, é saber banir a hipocrisia e afastar os interesses pessoais maiores que os interesses da Nação Brasileira;
É saber imitar Fênix e renascer das próprias cinzas quando todos acreditam em sua falência!
É saber exigir seriedade no comportamento e nas escolhas políticas no momento-limite mesmo sendo um povo levado pelo sentimento...pois, por este sentimento, lutaremos até ao extremo para defender nosso Brasil ! Liberdade ainda que tardia !”
                                                                                              Rabiscado em França, em 09/05/15                                                                                         Terminado em Macapá, em 28/04/16

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Olá! Boa tarde aqui na França. Bom dia aí no Brasil.
Depois de tanto tempo sem acessar meu blog até parece que é fácil chegar aqui e pedir desculpas pela ausência. Confesso, não é fácil não. Para mim, a ausência soa como "pouco caso". Pois é! Bateu uma certa vergonha... Mas, àqueles que me lêem: Desculpem a ausência, tá? Espero que não tenham sentido a minha falta. Acho que não sentiram mesmo senão teriam reclamado, rsrs.
Por outro lado, sou uma pessoa que precisa de concentração para escrever: preciso de solidão, entenderam? Sem ninguém por perto, sem barulho de televisão, sem ruídos pessoais egocêntricos. Sem fantasmas alheios (pois já bastam os meus).
Como podem ver já está saindo alguma coisa aqui. Mas, estou falando de mim? Não é isto que pretendo. Não quero ser, eu mesma, egocêntrica. Tem muito mais coisa importante para se tratar do que meus gostos pessoais.
Por exemplo, a carta de Mark Manson : "Uma carta aberta ao Brasil". Publico abaixo pois vi que ele retratou com conhecimento de causa o comportamento de nosso povo. E que precisamos todos mudar os pensamentos que se assemelham a essa cultura perniciosa que nos faz termos o comportamento "de querer nos dar bem". Leia sem defesas e sem bairrismo.

Querido Brasil,
O Carnaval acabou. O “ano novo” finalmente vai começar e eu estou te deixando para voltar para o meu país.
Assim como vários outros gringos, eu também vim para cá pela primeira vez em busca de festas, lindas praias e garotas. O que eu não poderia imaginar é que eu passaria a maior parte dos 4 últimos anos dentro das suas fronteiras. Aprenderia muito sobre a sua cultura, sua língua, seus costumes e que, no final deste ano, eu me casaria com uma de suas garotas.
Não é segredo para ninguém que você está passando por alguns problemas. Existe uma crise política, econômica, problemas constantes em relação à segurança, uma enorme desigualdade social e agora, com uma possível epidemia do Zika vírus, uma crise ainda maior na saúde.
Durante esse tempo em que estive aqui, eu conheci muitos brasileiros que me perguntavam: “Por que? Por que o Brasil é tão ferrado? Por que os países na Europa e América do Norte são prósperos e seguros enquanto o Brasil continua nesses altos e baixos entre crises década sim, década não?”
No passado, eu tinha muitas teorias sobre o sistema de governo, sobre o colonialismo, políticas econômicas, etc. Mas recentemente eu cheguei a uma conclusão. Muita gente provavelmente vai achar essa minha conclusão meio ofensiva, mas depois de trocar várias ideias com alguns dos meus amigos, eles me encorajaram a dividir o que eu acho com todos os outros brasileiros.
Então aí vai: é você.
Você é o problema.
Sim, você mesmo que está lendo esse texto. Você é parte do problema. Eu tenho certeza de não é proposital, mas você não só é parte, como está perpetuando o problema todos os dias.
Não é só culpa da Dilma ou do PT. Não é só culpa dos bancos, da iniciativa privada, do escândalo da Petrobras, do aumento do dólar ou da desvalorização do Real.
O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade.
O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de “ser brasileiro” mesmo que isso não esteja certo.
Quer um exemplo?
Imagine que você está de carona no carro de um amigo tarde da noite. Vocês passam por uma rua escura e totalmente vazia. O papo está bom e ele não está prestando muita atenção quando, de repente, ele arranca o retrovisor de um carro super caro. Antes que alguém veja, ele acelera e vai embora.
No dia seguinte, você ouve um colega de trabalho que você mal conhece dizendo que deixou o carro estacionado na rua na noite anterior e ele amanheceu sem o retrovisor. Pela descrição, você descobre que é o mesmo carro que seu brother bateu “sem querer”. O que você faz?
A) Fica quieto e finge que não sabe de nada para proteger seu amigo? Ou
B) Diz para o cara que sente muito e força o seu amigo a assumir a responsabilidade pelo erro?
Eu acredito que a maioria dos brasileiros escolheria a alternativa A. Eu também acredito que a maioria dos gringos escolheria a alternativa B.
Nos países mais desenvolvidos o senso de justiça e responsabilidade é mais importante do que qualquer indivíduo. Há uma consciência social onde o todo é mais importante do que o bem-estar de um só. E por ser um dos principais pilares de uma sociedade que funciona, ignorar isso é uma forma de egoísmo.
Eu percebo que vocês brasileiros são solidários, se sacrificam e fazem de tudo por suas famílias e amigos mais próximos e, por isso, não se consideram egoístas.
Mas, infelizmente, eu também acredito que grande parte dos brasileiros seja extremamente egoísta, já que priorizar a família e os amigos mais próximos em detrimento de outros membros da sociedade é uma forma de egoísmo.
Sabe todos aqueles políticos, empresários, policiais e sindicalistas corruptos? Você já parou para pensar por que eles são corruptos? Eu garanto que quase todos eles justificam suas mentiras e falcatruas dizendo: “Eu faço isso pela minha família”. Eles querem dar uma vida melhor para seus parentes, querem que seus filhos estudem em escolas melhores e querem viver com mais segurança.
É curioso ver que quando um brasileiro prejudica outro cidadão para beneficiar sua famílias, ele se acha altruísta. Ele não percebe que altruísmo é abrir mão dos próprios interesses para beneficiar um estranho se for para o bem da sociedade como um todo.
Além disso, seu povo também é muito vaidoso, Brasil. Eu fiquei surpreso quando descobri que dizer que alguém é vaidoso por aqui não é considerado um insulto como é nos Estados Unidos. Esta é uma outra característica particular da sua cultura.
Algumas semanas atrás, eu e minha noiva viajamos para um famoso vilarejo no nordeste. Chegando lá, as praias não eram bonitas como imaginávamos e ainda estavam sujas. Um dos pontos turísticos mais famosos era uma pedra que de perto não tinha nada demais. Foi decepcionante.
Quando contamos para as pessoas sobre a nossa percepção, algumas delas imediatamente disseram: “Ah, pelo menos você pode ver e tirar algumas fotos nos pontos turísticos, né?”
Parece uma frase inocente, mas ela ilustra bem essa questão da vaidade: as pessoas por aqui estão muito mais preocupadas com as aparências do que com quem eles realmente são.
É claro que aqui não é o único lugar no mundo onde isso acontece, mas é muito mais comum do que em qualquer outro país onde eu já estive.
Isso explica porque os brasileiros ricos não se importam em pagar três vezes mais por uma roupa de grife ou uma jóia do que deveriam, ou contratam empregadas e babás para fazerem um trabalho que poderia ser feito por eles. É uma forma de se sentirem especiais e parecerem mais ricos. Também é por isso que brasileiros pagam tudo parcelado. Porque eles querem sentir e mostrar que eles podem ter aquela super TV mesmo quando, na realidade, eles não tenham dinheiro para pagar. No fim das contas, esse é o motivo pelo qual um brasileiro que nasceu pobre e sem oportunidades está disposto a matar por causa de uma motocicleta ou sequestrar alguém por algumas centenas de Reais. Eles também querem parecer bem sucedidos, mesmo que não contribuam com a sociedade para merecer isso.
Muitos gringos acham os brasileiros preguiçosos. Eu não concordo. Pelo contrário, os brasileiros tem mais energia do que muita gente em outros lugares do mundo (vide: Carnaval).
O problema é que muitos focam grande parte da sua energia em vaidade em vez de produtividade. A sensação que se tem é que é mais importante parecer popular ou glamouroso do que fazer algo relevante que traga isso como consequência. É mais importante parecer bem sucedido do que ser bem sucedido de fato.
Vaidade não traz felicidade. Vaidade é uma versão “photoshopada” da felicidade. Parece legal vista de fora, mas não é real e definitivamente não dura muito.
Se você precisa pagar por algo muito mais caro do que deveria custar para se sentir especial, então você não é especial. Se você precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir importante, então você não é importante. Se você precisa mentir, puxar o tapete ou trair alguém para se sentir bem sucedido, então você não é bem sucedido. Pode acreditar, os atalhos não funcionam aqui.
E sabe o que é pior? Essa vaidade faz com que seu povo evite bater de frente com os outros. Todo mundo quer ser legal com todo mundo e acaba ou ferrando o outro pelas costas, ou indiretamente só para não gerar confronto.
Por aqui, se alguém está 1h atrasado, todo mundo fica esperando essa pessoa chegar para sair. Se alguém decide ir embora e não esperar, é visto como cuzão. Se alguém na família é irresponsável e fica cheio de dívidas, é meio que esperado que outros membros da família com mais dinheiro ajudem a pessoa a se recuperar. Se alguém num grupo de amigos não quer fazer uma coisa específica, é esperado que todo mundo mude os planos para não deixar esse amigo chateado. Se em uma viagem em grupo alguém decide fazer algo sozinho, este é considerado egoísta.
É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso.
Como um gringo que geralmente não liga a mínima sobre o que as pessoas pensam de mim, eu acho muito difícil não enxergar tudo isso como uma forma de desrespeito e auto-sabotagem. Em diversas circunstâncias eu acabo assistindo os brasileiros recompensarem as “vítimas” e punirem àqueles que são independentes e bem resolvidos.
Por um lado, quando você recompensa uma pessoa que falhou ou está fazendo algo errado, você está dando a ela um incentivo para nunca precisar melhorar. Na verdade, você faz com que ela fique sempre contando com a boa vontade de alguém em vez de ensina-la a ser responsável.
Por outro lado, quando você pune alguém por ser bem resolvido, você desencoraja pessoas talentosas que poderiam criar o progresso e a inovação que esse país tanto precisa. Você impede que o país saia dessa merda que está e cria ainda mais espaço para líderes medíocres e manipuladores se prolongarem no poder.
E assim, você cria uma sociedade que acredita que o único jeito de se dar bem é traindo, mentindo, sendo corrupto, ou nos piores casos, tirando a vida do outro.
As vezes, a melhor coisa que você pode fazer por um amigo que está sempre atrasado é ir embora sem ele. Isso vai fazer com que ele aprenda a gerenciar o próprio tempo e respeitar o tempo dos outros.
Outras vezes, a melhor coisa que você pode fazer com alguém que gastou mais do que devia e se enfiou em dívidas é deixar que ele fique desesperado por um tempo. Esse é o único jeito que fará com que ele aprenda a ser mais responsável com dinheiro no futuro.
Eu não quero parecer o gringo que sabe tudo, até porque eu não sei. E deus bem sabe o quanto o meu país também está na merda (eu já escrevi aqui sobre o que eu acho dos EUA).
Só que em breve, Brasil, você será parte da minha vida para sempre. Você será parte da minha família. Você será meu amigo. Você será metade do meu filho quando eu tiver um.
E é por isso que eu sinto que preciso dividir isso com você de forma aberta, honesta, com o amor que só um amigo pode falar francamente com outro, mesmo quando sabemos que o que temos a dizer vai doer.
E também porque eu tenho uma má notícia: não vai melhorar tão cedo.
Talvez você já saiba disso, mas se não sabe, eu vou ser aquele que vai te dizer: as coisas não vão melhorar nessa década.
O seu governo não vai conseguir pagar todas as dívidas que ele fez a não ser que mude toda a sua constituição. Os grandes negócios do país pegaram dinheiro demais emprestado quando o dólar estava baixo, lá em 2008-2010 e agora não vão conseguir pagar já que as dívidas dobraram de tamanho. Muitos vão falir por causa disso nos próximos anos e isso vai piorar a crise.
O preço das commodities estão extremamente baixos e não apresentam nenhum sinal de aumento num futuro próximo, isso significa menos dinheiro entrando no país. Sua população não é do tipo que poupa e sim, que se endivida. As taxas de desemprego estão aumentando, assim como os impostos que estrangulam a produtividade da classe trabalhadora.
Você está ferrado. Você pode tirar a Dilma de lá, ou todo o PT. Pode (e deveria) refazer a constituição, mas não vai adiantar. Os erros já foram cometidos anos atrás e agora você vai ter que viver com isso por um tempo.
Se prepare para, no mínimo, 5-10 anos de oportunidades perdidas. Se você é um jovem brasileiro, muito do que você cresceu esperando que fosse conquistar, não vai mais estar disponível. Se você é um adulto nos seus 30 ou 40, os melhores anos da economia já fazem parte do seu passado. Se você tem mais de 50, bem, você já viu esse filme antes, não viu?
É a mesma velha história, só muda a década. A democracia não resolveu o problema. Uma moeda forte não resolveu o problema. Tirar milhares de pessoa da pobreza não resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele está na mentalidade das pessoas.
O “jeitinho brasileiro” precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo.
Ao contrario de outras revoluções externas que fazem parte da sua história, essa revolução precisa ser interna. Ela precisa ser resultado de uma vontade que invade o seu coração e sua alma.
Você precisa escolher ver as coisas de um jeito novo. Você precisa definir novos padrões e expectativas para você e para os outros. Você precisa exigir que seu tempo seja respeitado. Você deve esperar das pessoas que te cercam que elas sejam responsabilizadas pelas suas ações. Você precisa priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal ou da sua família e amigos. Você precisa deixar que cada um lide com os seus próprios problemas, assim como você não deve esperar que ninguém seja obrigado a lidar com os seus.
Essas são escolhas que precisam ser feitas diariamente. Até que essa revolução interna aconteça, eu temo que seu destino seja repetir os mesmos erros por muitas outras gerações que estão por vir.
Você tem uma alegria que é rara e especial, Brasil. Foi isso que me atraiu em você muitos anos atrás e que me faz sempre voltar. Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece.
Seu amigo,
Mark
Traduzido por Fernanda Neute




domingo, 14 de setembro de 2014

ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS, CLEAVELAND, OHIO

"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está a coluna, mais uma vez:
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Indepedentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que vc fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância."


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O perigoso voto com os olhos do bolso.

Publicado no Diariodoamapa.com.br em 02.09.2014 

A propaganda eleitoral gratuita com a qual somos obrigados a conviver através do horário eleitoral na televisão e no rádio derrama em nossos lares, a cada dois anos, uma enxurrada de caricaturas, besteiróis, mentiras, promessas e berros que poderiam ser evitados se os candidatos lembrassem que do lado de fora do circo existem pessoas inteligentes. Nós, eleitores, seríamos poupados de um monte de coisas inúteis. Por enquanto, resta-nos duas opções: ou praticar a famosa evasão desligando a televisão ou assistir e dar gargalhadas, filtrando o que se pode aproveitar.
O que acompanho aqui na França através dos vídeos do G1, rádios e comentários nas redes sociais dá para formar uma ideia da situação que se desenha para as próximas eleições. Alguns resultados de pesquisas encomendadas beneficiando, claro, a clientela que encomendou. Muita manipulação da inteligência do eleitor. Candidatos dançando na corda bamba da justiça cantando a música da inocência. A propósito, “a delimitação do conteúdo do princípio nemo tenetur se detegere é encontrada na doutrina processual penal, que defende que nenhum cidadão é obrigado a produzir prova contra si mesmo, porém, não vale invocar este princípio quando não houver pretensão do Estado de apurar determinado fato. Com isso podemos perceber que esse direito não pode ser utilizado como proteção para a prática de atos ilícitos, mas antes só é cabível invocá-lo quando houver uma investida do Estado para desvendar uma infração penal e não para justificar a prática de infrações penais que objetivem ocultar outras.” (Santos, Luciano Aragão, in Direito net). Do que se conclui que, quando alguém está respondendo processos penais ao espernear dizendo que é inocente estará fazendo uso desse princípio até a tramitação em julgado da sentença que está a caminho. E essa última dirá se o réu é inocente ou culpado. Porém, não pode servir de desculpa para invocá-lo todo tempo.
Quanto às mentiras, elas têm pernas curtas. E muitas pessoas podem também ter memória curta, mas não são cegas. Refiro-me às estradas estaduais que utilizo sempre e a estrada federal BR156 por onde trafego várias vezes ao ano. Vi e fotografei as rodovias sendo preparadas para receber asfalto em 2012, 2013 e 2014. Em 2013, senti de perto a angústia dos responsáveis pela terraplanagem e asfalto da estrada que dá acesso ao Município de Pracuúba com a chegada das chuvas. Esse fato constitui verdadeira ameaça para o ritmo dos trabalhos. Também em 2013, trafeguei no ramal da Bacabinha e no ramal da Base Aérea do Amapá, passando pelos dois ramais durante o trabalho de terraplanagem e após concluído o asfalto. Na BR156, no trecho entre Calçoene e o Carnô, tirei fotos de uma empreiteira trabalhando na construção da estrada e de pontes de concreto quando eu voltava da França, via Guiana Francesa e Oiapoque, em setembro de 2012 (tenho as fotos). Na Ap070 fotografei máquinas e caçambas trabalhando para tornar viável a passagem dos carros na Areia Branca no período das chuvas ainda este ano de 2014, o que não se via antes. E atravessei várias vezes o trecho da Ap070 entre Santo Antônio da Pedreira e o Bar do Paulo com máquinas trabalhando na terraplanagem e asfalto. As chuvas, este ano, foram aliadas do atraso dos serviços externos. Aqui na França, nesse mês de agosto, normalmente de verão forte, está chovendo ainda e a temperatura baixou a menos de 13 graus.
Você já procurou saber quantas vezes os recursos para a conclusão da BR156 ficaram disponíveis para o Amapá nas gestões passadas e “voltaram” porque “eram insuficientes”? Se você sabe, diga. Contribua com a sociedade. De quem foi a idéia de aumentar o trecho da BR156 até o Município de Laranjal do Jari? Quando a BR156 foi aberta, ela começava em Macapá e terminava no Município de Oiapoque. Você se perguntou com que finalidade fizeram essa mudança? Se sabe, diga-nos. Eu não sei. As redes sociais e alguns canais de televisão e rádios estão sendo usadas sem escrúpulos nesse momento político. Então, conte-nos o que sabe se houver alguma coisa para contar. Apesar da minha inocência, não sou cega e raciocino. Você também. Taí a BR156 esticada até o Laranjal do Jari. Uma filha que nasceu a duras penas dos desbravadores e, recentemente, sofreu de gigantismo.
Satanás é pai da mentira e padrasto da corrupção. Por isso, não voto nem escolho meus amigos com os olhos do bolso. Ninguém pode agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo, porém temos que nos aproximar do que é melhor para o Estado, para o povo. Não voto em corrupto, mas tem quem vote. Algum interesse existe: cargos? Ideologia? Belos carros? Um prédio novo? Uma mansão? Cada um escolhe o que melhor lhe convém, mesmo que o caminho termine no inferno. Depois, o Amapá que se lixe, não é assim mesmo? Essa idéia de que o círculo individual de certas pessoas é intocável afugenta o pensamento do bem comum. Cria diferenças. Como se esses indivíduos não sofressem as consequências de seu voto corrompido junto com os excluídos.
Compare: o número de evasões da penitenciária agora e alguns anos atrás. Quase não se ouve atualmente falar em evasões. Se eu estiver errada a sua contestação será bem recebida. A insegurança aumentou? Fruto da corrupção que não investiu na educação, na saúde e no emprego, somado ao paternalismo das bolsas que não investem no trabalho, nem na educação. Nada contra o socialismo. Porém, se juntamente com a ajuda financeira o estado brasileiro preparasse os pais para o trabalho e educasse as crianças não se criariam parasitas.
Um dia, olhando as fotografias de meu pai e de seus colegas de trabalho na antiga Garagem Territorial, murmurei: “Pai, depois dessa fase de homens trabalhadores que construíram o Amapá do quase nada, onde a simples palavra empenhada valia ouro, foi criado o Estado do Amapá e foi como se tivéssemos caído em um buraco negro com uma corja de pessoas procuradas pela polícia que estão tentando destruir o que vocês construíram com o esforço e a honestidade. E, o que é pior, tentando denegrir grosseiramente a imagem daqueles que trabalham pelo povo”.
O que meu pai responderia se ele pudesse? O que seu pai honesto aconselharia a você?

A fofoqueira instruída da cidade e a fofoqueira da beira do rio.

Publicado dia 29.07.2014

Você lembra da Candinha da música do Roberto Carlos? Pois, bem pertinho de você tem uma Candinha e pertinho de mim, também. As “amigas” se reúnem com ela curiosas para conhecer as últimas fofocas. Quando a fofoqueira começa não pára nem para respirar. Com a audiência no auge ela foge da realidade dando vazão à sua inveja. Segundo essa contadora de vantagens, só o que é dela presta. Só o que ela tem é de boa qualidade. Ela pode chegar mesmo às raias da difamação, da injúria, etc. A Candinha não ataca só em cidade pequena. E tem Candinha de várias nacionalidades. Ela pode estar presente aqui, ali, lá e acolá e pode trabalhar em qualquer esfera do poder. É asquerosa como a figura do puxa-sacos. Pode pertencer a qualquer classe social. Tenha cuidado.
A Candinha da beira de rio que só tem como “instrução” o que aprende através das novelas que assiste na televisão, em maldade e astúcia não chega nem aos pés da Candinha da alta esfera social que se diz de boa instrução.
Uma Candinha de beira de rio ainda é mais fácil de se fazer perdoar do que aquela Candinha que se acha a tal da cidade e de instrução superior. Por isso mesmo: pelo fato de haver recebido essa instrução superior.
Não se compara a candinice de alguém que tem acesso à cultura, à leitura e às altas posições sociais com a candinice de alguém sem instrução da beira do rio. São dois pesos e duas medidas. Além do mais, comportamento elegante não é para todos. É para quem tem classe.
A candinha que freqüenta a alta roda faz lembrar da sociedade burguesa que acedeu através dos recursos financeiros às mais altas camadas sociais européias e, mesmo, às cortes reais. No entanto, como inicialmente não recebiam as mesmas instruções que recebiam os herdeiros reais, faziam papéis ridículos até procurarem se equiparar também na instrução. A fofoca também existia nas cortes européias. Elegância no trato com as situações da vida se transmite através da mudança interior. De que adianta enriquecer o seu exterior se o seu interior continua pobre e seus valores são rasteiros? 
Enquanto a adolescência da fofoqueira da beira de rio transcorreu fazendo tique-tique nos peixes e cozinhando em fogão a lenha, a adolescência da fofoqueira da cidade foi transcorrida correndo atrás de um sustento diferente. Aí, ela jogava em todos os times Necessariamente, acumulou experiências no campo.
A fofoqueira da beira do rio não tem assunto para conversar. É vazia de leitura, de cultura, de oportunidades. A fofoqueira de estudos superiores tem leitura, tem caneta, mas é vazia de amor, de ternura. É fechada em seu egoísmo. Hermética até para a espontaneidade. É obscura, doentia. Mal amada, acima de tudo. Digna de pena.
Minha vizinha da beira do rio fala de todos os vizinhos. Fala dos outros empregados. Fala de si mesma. O que provoca a risada de todos. Porém, o máximo que fez foi trocar de marido, indo morar com o novato lá pras quintas do retiro do patrão, no meio da mata. A fofoqueira instruída da cidade, a mal amada, fala das ex-namoradas de suas aventuras, fala das amantes dos chefes, mas, ao contrário da fofoqueira da beira do rio, de si mesma só conta vantagens que todo mundo sabe que 80% são mentiras. Rir ou ter dó? 
Ignorar, ter elegância para saber tratar com gente assim ainda é a melhor saída. Deixar por conta do dito popular segundo o qual quem tem rabo de palha não deve passar perto de fogo. Imagine-se que, por onde a fofoqueira passa, nos ambientes que frequenta tenha sempre alguém que conheça a sua vida. A fofoca e a difamação jogadas no ar a precedem, e, em todo lugar, alguém lhe aponta um dedo invisível sorrindo dissimuladamente: E você? Já esqueceu o que aprontava?"

Tsunami no Rio Amazonas mataria o macapaense com o próprio lixo.

Publicado no dia 15.07.014

O leitor há de concordar que é bonito e agradável passear em ruas e praças limpas e organizadas. Cidade limpa cheirando a primeiro mundo é outra coisa, não é mesmo? Quem tem a oportunidade de vir à Europa ou visitar cidades do Sul do Brasil volta para Tucujópolis admirado com a limpeza e a organização presenciadas alhures.
Dias atrás, o Douglas leu na emissora Rádio 90.9 FM um artigo de autoria do Sr. José Massulo, sob o título “Falta de Urbanidade”, publicado neste jornal no dia 14 de junho. O autor descreveu um ato praticado por determinado usuário de ônibus seu vizinho de assento. O cidadão havia bebido o conteúdo de uma latinha de refrigerante e sapecado a lata janela afora, na via pública. O autor tentou convencê-lo das consequências de seu ato orientando-o sobre a existência da lixeira ao lado do motorista mas, logo percebeu que havia mexido com um ninho de caba tatu. A reação do homem demonstrou como fazem os reis da sujeira e da falta de educação que não estão nem aí para a limpeza nem para a poluição. E muito menos para Civilidade (1.Conjunto de formalidades observadas entre si pelos cidadãos em sinal de respeito mútuo e consideração. 2.Polidez, urbanidade, delicadeza, cortesia) ou para a consequência de seu ato ao assumir o risco de ferir outra pessoa com tal gesto. Poderia ter lesionado alguém que, como ele, paga seus impostos e também tem direito de usar a via pública e os serviços de transporte. E, no direito de uso dos transportes e das vias públicas está intrínseco, inseparável, o respeito pela integridade física do outro usuário, além do respeito e obrigações em relação a utilização e conservação das vias públicas. E outros e outros atos de civismo e de boa educação que fazem bem a todos.
Porém, não nos admiremos tanto assim: esse cidadão é um entre muitos. Veja: a madame que publica no Facebook sua foto em Paris, tendo como segundo ou terceiro plano a célebre Torre Eiffel dando ênfase à limpeza da cidade luz é a mesma que abre o vidro do seu carrão na rodovia entre Macapá e Santana para jogar, na via pública, o saco de biscoito que seu filho esvaziou. Que exemplo para se dar a uma criança, hem!  Como ter moral para cobrar limpeza do poder público?
Será que apenas os olhares de reprovação serão suficientes para que os sujismundos se “manquem” e percebam a gravidade de seu ato? Não! O sujismundo nasceu e vai morrer sujismundo. Então, aproveito para sugerir àquelas pessoas que costumam jogar seus lixos pelas janelas dos veículos que continuem fazendo isso. Assim, no dia em que acertarem alguém da própria família, ou alguém que tenha o pavio curto, sentirão na pele as consequências de sua má educação.
Pior é aquele político que, sorrindo hipocritamente para seus eleitores, arrota arrogância em sua própria casa com a doméstica e não providencia uma lixeira para a frente de sua casa. Alma de urubu, espírito de porco.
A mente de muita gente ainda não “descobriu” a utilidade de uma lixeira. Não me refiro ao conhecimento da lixeira como substantivo concreto, nem à finalidade da lixeira em si. Refiro-me à capacidade intelectiva de certas pessoas para fixar o que representam o lixo e a lixeira para a vida do ser humano, o que está implícito na exposição da lixeira aqui, ali, no próprio ônibus, nas praças. Ela está pedindo, calada, para você, cidadão: seja um coletor de seu lixo! Use-me! Colabore com a limpeza do planeta! Colabore com a higiene de sua família e de sua vizinhança! Arrumar seu próprio lixo em local apropriado também significa saúde.
Campanhas de conscientização não faltam. Acredito que não faltem também professores orientando as crianças nas escolas a administrar seus lixinhos. Suponho que os pais educados orientem seus filhos. Mas, é suficiente virem as enchentes para constatarmos o que a água continua a trazer quando as áreas alagadas e os canais transbordam. Lixo! Garrafas de plástico, latas secas de refrigerante. Isso é o resultado da falta de educação dos sujismundos. Muitos ribeirinhos, tanto da zona rural, assim como da zona urbana têm o péssimo hábito de jogar coisas nos rios e canais. O resultado é o entulho, a destruição, o acúmulo de insetos, as doenças. Mas, tem gente que não aprende. Apesar das campanhas, as pessoas continuam a entulhar os canais e córregos. Todos com a mesma mentalidade do cidadão que joga lixo pelas janelas dos veículos, depois querem cobrar limpeza do poder público. Falta de conscientização ou de vergonha na cara? Mais de 20 toneladas de entulho retiradas do canal do Beirol! Assim não dá, minha gente!

Meus impostos ajudam a pagar os garis para juntar o lixo das vias públicas, sim. Mas ajudam também na educação, na saúde, na segurança. Ah, impostos meus! Nem por isso vou sair por aí jogando os meus restos na cara dos outros ou fora da lixeira para os cachorros e os urubus espalharem. Santa porcaria! Longe de chegarmos aos pés do primeiro mundo! Ainda mais com toda essa corrupção que nos assola e esse monte de gente que contribuiu para a criação de uma nova moda na cultura brasileira: a moda das Operações da Polícia Federal. Processos que se acumulam e que, por alguma arte, estão dormindo em algum lugar depois de tanto trabalho que deram aos agentes da PF, aos membros do Ministério Público e do Judiciário, depois de tanto mal que seus atores e atrizes causaram ao Estado do Amapá. Indignaram-nos e indignam ao sabê-los sem um resultado eficaz, posto que os acusados estão prontos para voltar ao ataque através da memória fraca de eleitores que se deixam manipular, em sua maioria, por não perceberem a gravidade da coisa ou por trocarem sua inocência pela insistência descarada e astuta dos chacais. "

Uma coisa que adoro.

Uma coisa que adoro.
No inverno, fica tudo assim. Foto:D.B.

Os lagos

Os lagos
Pegamos nossos remos e varejões e saímos com muito cuidado para não triscar nos jacarés e sucuris. Foto: Veneide